
Paraná - A implantação das novas praças de pedágio eletrônico nas rodovias do Oeste e Sudoeste do Paraná avança para a fase final e a cobrança deve começar nos próximos 60 dias, dependendo de vistoria e autorização da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). As informações foram detalhadas pelo diretor-executivo da EPR Iguaçu, Silvio Caldas, em entrevista concedida à Rádio Educadora de Dois Vizinhos.
A EPR Iguaçu é a concessionária responsável pelo chamado Lote 6 do novo programa de concessões rodoviárias, que abrange cerca de 660 quilômetros de estradas no Paraná. O trecho inclui a BR-277 (entre Prudentópolis e Foz do Iguaçu), a BR-163 (entre Cascavel e Realeza), além das PRs 182 e 483 (entre Realeza e Francisco Beltrão) e das PRs 180, 280 e 158 (entre Marmeleiro, Vitorino e Pato Branco).
Segundo Silvio Caldas, trata-se do maior pacote de investimentos entre os atuais contratos de concessão do país. “Até o nono ano, estão previstas duplicações em cerca de 460 quilômetros de rodovias, o que representa aproximadamente 70% de toda a malha do lote. Além disso, teremos mais de 130 viadutos, 38 passarelas, vias marginais, faixas adicionais e uma série de intervenções voltadas à segurança viária e à preservação da vida”, afirmou.
Pedágio eletrônico
O trecho inclui nove praças de pedágio em rodovias como BR-277, BR-163, PR-182 e PR-280. As praças existentes na BR-277 já estão em operação, e as novas em Lindoeste, Ampére e Pato Branco estão em fase final de implantação, todas no modelo eletrônico free flow, sem cabines físicas e sem necessidade de parada dos veículos.
No Oeste o pórtico já está instalado entre Lindoeste e Santa Lúcia e, no sudoeste em Ampére e Pato Branco. A concessionária confirmou que as três praças devem entrar em funcionamento simultaneamente.
O sistema utiliza câmeras e sensores que identificam automaticamente os veículos. Quem possui TAG eletrônica continuará trafegando normalmente, com a cobrança vinculada ao meio de pagamento cadastrado. Para os motoristas sem TAG, a leitura será feita pela placa do veículo, e o pagamento deverá ser realizado posteriormente.
O pagamento poderá ser feito pelo site, aplicativo da concessionária, totens de autoatendimento nas bases operacionais, praças físicas integradas e estabelecimentos conveniados ao longo dos trechos concedidos.
Apesar da previsão de início em até dois meses, a EPR Iguaçu afirma que ainda não há data definida para o começo da cobrança dos pedágios eletrônicos. Antes disso, a ANTT precisa vistoriar e atestar que todos os requisitos contratuais foram cumpridos, incluindo sinalização, pavimento e condições gerais das rodovias.
“O pedágio não é apenas cobrança. Ele viabiliza investimentos, manutenção permanente e serviços de atendimento ao usuário. Nosso compromisso é manter diálogo com a comunidade e contribuir para o desenvolvimento regional”, concluiu Silvio Caldas.
Um dos pontos que mais chama a atenção de usuários e do setor produtivo é a instalação da praça de pedágio eletrônico em Lindoeste, justamente em um trecho da BR-163 onde a duplicação ainda não foi totalmente concluída. De acordo com estimativas da FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), a tarifa projetada nesse ponto pode chegar a cerca de R$ 18,26, após correções inflacionárias, figurando entre as mais altas do Lote 6.
A concessionária reforça que os valores não são definidos por ela, mas pelo Poder Concedente, e que as tarifas estão vinculadas às regras contratuais e às etapas de execução das obras previstas.
Duplicação BR-163
A BR-163, no trecho entre Cascavel e Marmelândia, distrito de Realeza, é considerada uma das rodovias mais estratégicas do Paraná, por concentrar o escoamento da produção agrícola do Oeste e do Sudoeste.
A duplicação desse segmento, iniciada ainda em 2014, tornou-se uma das obras mais emblemáticas do estado, marcada por atrasos, paralisações, trocas de governos e investigações por irregularidades. Dos cerca de 74 quilômetros previstos, aproximadamente 17 quilômetros ainda não foram duplicados.
Com a concessão do Lote 6, a responsabilidade pela conclusão definitiva da duplicação passou à iniciativa privada. Segundo a EPR Iguaçu, a entrega das obras remanescentes no trecho, está prevista a partir do quarto ano de concessão, o que projeta a conclusão por volta de 2029, considerando que a empresa assumiu o trecho em meados de 2025.