
A plataforma teve inspiração na experiência da Jornada Mundial da Juventude, quando houve incentivos para que cariocas hospedassem os estrangeiros sem cobrar por isso. No caso da Olimpíada e da Paralimpíada, oferecer leitos gratuitamente não será obrigatório, mas o comitê recomenda que não haja cobrança.
Mais de 3.000 vagas para voluntários
Os números de inscrições, em menos de um mês, animam a gerente-geral do programa de voluntários do Rio 2016, Flavia Fontes. A plataforma ficará aberta até o início dos Jogos.
? Temos mais de quatro mil voluntários, a maioria procurando casas na Barra e em Jacarepaguá, e mais de 3.000 acomodações inscritas até aqui, desde casas simples a alojamentos, que estão sendo ocupadas gradualmente ? explica Flavia, que enxerga o caso da Jornada Mundial da Juventude como inspiração. ? O projeto deles foi superbem aceito. O Rio mostrou que pode receber muitas pessoas, e quisemos aproveitar esse legado.
Dentre os voluntários, 20% são estrangeiros. Dos brasileiros, 60% são de fora do Rio. A partir da percepção de que muitos locais estão cobrando preços abusivos, e com a proposta de facilitar a vida dos voluntários, o comitê idealizou a Meu Lugar no Rio.
? Sempre deixamos claro que eles arcariam com a hospedagem, mas percebemos que estavam cobrando muito caro pelas diárias. Por que, então, não ajudar? Voluntários são superimportantes para o evento, e acreditamos que, até o lançamento da plataforma, cerca de cinco mil ainda não tinham acomodação ? diz ela.

Sua intenção de abrigar colegas começou no ano passado, quando ela fez amizade com uma voluntária mineira durante um evento-teste. Depois, pela internet, uma família de Brasília lhe pediu acomodação durante a Paralimpíada. Agora, Vera pretende ainda receber mais dois voluntários, por meio da Meu Lugar no Rio.
? O aplicativo nos deu mais segurança. Não é fácil receber estranhos em casa. Estou divulgando a plataforma para meus vizinhos e penso até em pedir que a minha mãe abra a casa dela ? conta Vera, que cobrará uma diária de cerca de R$ 40, para cobrir os gastos com café da manhã e energia elétrica.
O Centro Educativo Fernandes Marques, em Curicica, hospedará voluntários de 17 países durante a Olimpíada, cobrando o mesmo valor. A ideia de transformar o espaço em alojamento partiu do também voluntário Anderson Soares, que sondou vários colégios na região e teve resposta positiva da unidade dirigida por Diogo Fernandes.
? Há dois anos os voluntários interagem pelas redes sociais e em treinamentos. No início de maio, a galera se desesperou com os valores exorbitantes de hospedagem. Foi quando pensei em ajudá-los ? conta Soares.
O produtor artístico, que trabalhará na área de doping nos Jogos, diz que já há 170 pessoas inscritas para ficar no colégio, e cerca de 50 adiantaram 40% do pagamento.
? A plataforma auxiliou bastante. Já havia muita procura antes, mas ela ajudou a organizar a demanda ? diz.
Divididos em quatro salas, os hóspedes, que serão entre 85 e cem, terão à disposição cinco banheiros com chuveiros, piscina, quadra poliesportiva e mesas de pingue-pongue e totó. A experiência será enriquecedora para os alunos, afirma Diogo Fernandes.
? Estamos elaborando ações para envolvê-los. Cada voluntário será apadrinhado por um aluno, que lhe escreverá uma mensagem de boas-vindas. No fim, os voluntários escreverão de volta para os estudantes ? explica, empolgado. ? O importante é ajudar o evento e mostrar como o Rio é receptivo.