
? Eles (os partidos de esquerda) ficaram muito confortáveis no poder. Não trabalharam para reformular as leis e ser verdadeiros com a sua original filosofia ? respondeu Anderson, ao ser perguntado sobre os problemas dos governos de esquerda em países como Brasil, Argentina, Venezuela e Nicarágua.
O biógrafo de Che destacou que foram implantadas políticas sociais positivas, como o Bolsa Família, mas também práticas políticas condenáveis.
? Ao mesmo tempo, vimos que a velha esquerda abandonou a sua ideologia e se acomodou. Basicamente viveu dentro das velhas instituições que eles tanto criticavam, com nepotismo e corrupção. As empresas estatais ficaram muito próximas do governo.
Anderson ainda ironizou a ideologia e os gostos da ex-presidente argentina Cristina Kirchiner.
? Não conheço uma mulher de esquerda que precise de Bottega Veneta (grife italiana), como Cristina Kirchiner.
Para o jornalista, Donald Trump se utiliza da internet para criar um discurso que agrade parte da população.
? Trump emergiu de um novo populismo de direita. Tem a ver com a internet e as redes socais. Essa ideia de conexão direta. O mundo está padronizado, as pessoas leem o que querem. E esses políticos manipulam a psicologia popular. Sabem o que as pessoa pensam. São oportunistas.
Ao falar sobre a derrota do plebiscito do acordo de paz entre o governo colombiano e as Farc, o biógrafo de Che foi irônico e disse que com esse resultado e com a aprovação da o Brexit (saída do Reino Unido da União Européia) ficou provado que não se devem mais fazer plebiscitos.
? Talvez as pessoas que foram votar não estejam pensando em paz ou guerra. Estejam pensando apenas eu não gosto do (presidente colombiano Juan Manoel) Santos.
Sobre as apurações de suas reportagens, Anderson disse que sempre conseguiu informações ganhando a confiança das pessoas, como da viúva de Che, que lhe permitiu acesso ao diário do ex?guerrilheiro. Para isso, o fundamental é ser honesto e nunca esconder, por exemplo, que está usando gravador.