
Lucíola vendeu um apartamento para financiar a primeira aventura séria de Bruno Barreto na direção, “Tati, a garota”, longa que ele fez aos 16 anos de idade, baseado num conto de Aníbal Machado. Foi a avó quem pediu à filha de Machado, Maria Clara, para que mudasse o nome do livro em que o conto estava – “A morte da porta-estandarte e outras histórias” – para “Tati, a garota e outras histórias”, a fim de ajudar na divulgação do filme.
“Trabalhamos duro mas fizemos um belo filme. Fiz a produção executiva, a divulgação e até o bolo de papelão e glacê”, lembrou ela, em 1998, quando “O que é isso companheiro?”, filme de Bruno, concorreu ao Oscar de filme estrangeiro.
Goiana de Bela Vista, Lucíola se casou aos 16 anos, depois de um curto namoro, e ajudou o marido a transformar terras virgens no Paraná numa fazenda. Além de dar a primeira câmera a Bruno Barreto, uma Super 8, aos nove anos de idade, foi ela que conseguiu do escritor Marques Rebelo, paciente de seu marido, licença para que o neto filmasse “A estrela sobe”, seu segundo longa-metragem. Ela ainda costurou vestidos da personagem de Betty Faria e deu palpites nas filmagens.
Mais tarde, em “Dona Flor e seus dois maridos”, ela reuniu amigas para servirem de extras. E em “Amor bandido”, passou madrugadas em Copacabana acompanhando Bruno e gritando “corta!” quando alguma coisa saía errada.
Com o outro neto, Fábio aconteceu o mesmo. “Desde seu primeiro curta, ‘José e Maria’, percebi que ele tinha talento”, disse em 1998 Lucíola, que indicou a Fábio o conto “Índia”, de Bernardo Élis. “Ele se apaixonou e decidimos realizar o filme (“India, a filha do sol”, de 1982) na Fazenda Canuanã, em frente à ilha do Bananal, junto à aldeia dos carajás. Fizemos um belo filme.”
Lucíola Villela também Produziu também a “Igreja dos Oprimidos” e ” Bye Bye Brasil” (de Cacá Diegue) e co-produziu “Dona Flor e seus dois maridos”, “Inocência” (Walter Lima Junior) e “Memórias do cárcere” (Nelson Pereira dos Santos).
Lucíola deixa três filhos, nove netos, 19 bisnetos e sete tataranetos. O velório acontece no domingo, a partir das 10h, na capela 2 do Cemitério do Caju e a cremação será as 14h30m no Memorial do Carmo.