Atenção Primária à Saúde: a base que sustenta sistemas mais justos e eficazes

Cascavel e Paraná - Em um cenário global marcado pelo envelhecimento da população, pelo aumento das doenças crônicas e por desigualdades persistentes no acesso aos serviços de saúde, a Atenção Primária à Saúde (APS) segue ocupando um papel central nas agendas internacionais. Em 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reafirma a APS como a estratégia mais eficiente para alcançar a Cobertura Universal de Saúde.

A relevância desse modelo se reflete em dados expressivos. A ampliação das intervenções de atenção primária em países de baixa e média renda poderia salvar até 60 milhões de vidas e elevar a expectativa de vida média em cerca de 3,7 anos até 2030. Além disso, aproximadamente 75% dos avanços em saúde previstos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável podem ser alcançados por meio da APS.

Ao longo das últimas décadas, o conceito de Atenção Primária à Saúde passou por diferentes interpretações, o que gerou certa confusão sobre seu significado prático. Atualmente, a definição adotada pela OMS busca ser clara e funcional: a APS é uma abordagem que envolve toda a sociedade, orientada a promover o mais alto nível possível de saúde e bem-estar, distribuído de forma justa, com foco nas necessidades das pessoas ao longo de toda a vida. Isso inclui desde ações de promoção da saúde e prevenção de doenças até tratamento, reabilitação e cuidados paliativos, sempre o mais próximo possível do cotidiano da população.

Esse modelo se apoia em três pilares indissociáveis: serviços de saúde integrados e resolutivos, políticas e ações intersetoriais voltadas aos determinantes sociais da saúde e o engajamento ativo de indivíduos, famílias e comunidades. A proposta é fortalecer a participação social, o autocuidado e a autonomia, reconhecendo que fatores como educação, alimentação, condições de trabalho e ambiente influenciam diretamente os níveis de saúde e bem-estar.

A APS também carrega um compromisso ético fundamental. Está ancorada nos princípios da justiça social, da equidade e da solidariedade, partindo do reconhecimento de que a saúde é um direito humano essencial. Para que a cobertura universal seja efetivamente alcançada, é necessário superar modelos centrados apenas em doenças ou instituições e avançar para sistemas desenhados com e para as pessoas, considerando suas realidades e necessidades ao longo de todo o ciclo de vida.

Atenção Primária à Saúde e a Pandemia de COVID-19

Os benefícios dessa abordagem tornam-se ainda mais evidentes em contextos de crise. A experiência recente da pandemia de COVID-19 reforçou o papel da atenção primária como porta de entrada do sistema de saúde, essencial para a vigilância, a resposta rápida a emergências e a continuidade do cuidado. Sistemas organizados a partir da APS tendem a ser mais resilientes, eficientes e preparados para enfrentar tanto desafios sanitários quanto sociais.

Diante desse cenário, a atuação da OMS tem se concentrado em apoiar os países na reorientação de seus sistemas de saúde, produzindo evidências, estimulando inovações e fortalecendo parcerias estratégicas. Mais do que uma diretriz internacional, a Atenção Primária à Saúde se apresenta como um compromisso coletivo: investir na base é investir em saúde, equidade e sustentabilidade para toda a sociedade.

Associação Médica de Cascavel

Fonte: Organização Mundial da Saúde