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Janeiro e os cuidados essenciais com a saúde física e mental

Cascavel e Paraná - O início do ano é tradicionalmente um período de reflexões, recomeços e novos propósitos. No campo da saúde, janeiro também assume um papel fundamental ao trazer duas importantes campanhas de conscientização: o Janeiro Roxo, voltado à prevenção e ao enfrentamento da hanseníase, e o Janeiro Branco, que convida a sociedade a olhar com mais atenção para a saúde mental. Ambas reforçam a importância do diagnóstico precoce, do acesso ao tratamento e do combate ao estigma que ainda envolve essas condições.

A hanseníase é uma doença conhecida há mais de quatro mil anos e, apesar dos avanços da medicina, ainda representa um desafio significativo no Brasil. O país ocupa atualmente a segunda posição mundial em número de novos casos, o que mantém a doença como um relevante problema de saúde pública. Ela acomete pessoas de todas as idades e sexos e sua transmissão ocorre por meio do contato próximo e prolongado com pessoas não tratadas, pelas vias aéreas superiores.

Entre os principais sinais e sintomas estão manchas na pele com perda ou alteração da sensibilidade, formigamentos, diminuição da força muscular e espessamento de nervos periféricos. O diagnóstico é essencialmente clínico, feito por meio de exame dermatológico e neurológico, e deve ser realizado o mais precocemente possível. Quando não identificada a tempo, a hanseníase pode causar lesões neurais que levam a deficiências físicas e limitações funcionais, responsáveis, ao longo da história, pelo forte estigma associado à doença.

É fundamental destacar que a hanseníase tem cura e que o tratamento é gratuito e oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A terapia medicamentosa, conhecida como Poliquimioterapia Única (PQT-U), é segura, eficaz e, logo no início do tratamento, a pessoa deixa de transmitir a doença. A avaliação de contatos próximos e o acompanhamento contínuo fazem parte da estratégia de prevenção e controle.

Paralelamente, o Janeiro Branco amplia o debate sobre a saúde mental, reforçando que ela não se limita ao aspecto emocional. Segundo a Organização Mundial da Saúde, saúde mental é um estado de bem-estar que permite ao indivíduo lidar com os desafios da vida, desenvolver suas habilidades e contribuir com a comunidade. Esse equilíbrio depende de fatores biológicos, psicológicos e sociais, além das condições de vida, trabalho, relações sociais e acesso a políticas públicas.

No Brasil, o cuidado em saúde mental é garantido por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que integra unidades básicas de saúde, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), hospitais gerais e outros serviços, oferecendo desde ações de promoção e prevenção até o atendimento de situações de crise. O acesso a esses serviços é um direito e deve ocorrer de forma humanizada, em liberdade e com respeito aos direitos humanos.

Janeiro, portanto, vai além da simbologia de um novo começo. É um convite à reflexão sobre o cuidado integral com a saúde, que envolve corpo e mente, ciência e acolhimento. Falar sobre hanseníase e saúde mental é falar de prevenção, dignidade e acesso ao cuidado. A informação, quando compartilhada de forma responsável, continua sendo uma das ferramentas mais poderosas para promover saúde e qualidade de vida.

Associação Médica de Cascavel

Fonte: Ministério da Saúde