
“Com grande prazer, anuncio que Sharbat Gula agora está livre dos problemas legais que sofreu nas últimas semanas. Ela logo estará livre também de um vida incerta como refugiada e fará seu caminho de volta ao seu país na segunda-feira, onde ainda é uma imagem querida e um ícone nacional. Ela se reunirá com o presidente Ashraf Ghani na sua chegada, para receber as boas-vindas e ajuda para seu reestabelecimento”, disse o embaixador afegão no Paquistão, Omar Zakhilwal, segundo o comunicado publicado na página oficial de McCurry.
Sharbat Gula foi presa por supostamente ser uma das milhares de pessoas que driblou o sistema de computadores do país para obter uma identidade falsa. O caso da mulher cujo rosto é mundialmente conhecido provocaou comoção em diversos países, e McCurry prometeu ajudá-la a ser absolvida. Ele contratou um advogado da região especializado em direitos humanos para cuidar do seu caso.
McCurry tirou a fotografia de Sharbat quando ela tinha apenas 12 anos e acabara de chegar a um campo de refugiados em Peshawar, no Paquistão. Ela era mais uma das pessoas que deixava sua vida para trás por causa dos violentos conflitos provocados pela ocupação soviética no Afeganistão. A imagem estampou uma icônica capa da revista ?National Geographic? em 1985 e lhe rendeu a Sharbat o apelido de “Mona Lisa do Terceiro Mundo”.
O fotógrafo manteve, ao longo de todos estes anos, esforços para obter informações sobre a vida de Sharbat. Em 2002, dezessete anos depois de tirar a icônica foto, McCurry reencontrou a afegã. Ela ainda vivia em um campo de refugiados ? mas desta vez na remota localidade de Nasir Bagh, que também fica no território paquistanês. A esta altura, ela já era casada e mãe de três filhas. Em uma nova foto, os seus expressivos olhos verdes mais uma vez foram capturados pelas lentes. E, então, o fotógrafo financiou o seu maior sonho: a viagem de peregrinação a Meca com a sua família.
O Paquistão realizou nos últimos meses uma grande campanha de verificação para descobrir os proprietários de documentos de identidade do país obtidos de forma fraudulenta. O país tem 1,4 milhão de afegãos registrados como refugiados, segundo a ONU ? e é a terceira nação com o maior número de pessoas asiladas no mundo.