Capitão Leônidas Marques, 28-08-24 - BR 163, sobre o rio Iguaçu.
Capitão Leônidas Marques, 28-08-24 - BR 163, sobre o rio Iguaçu.

A duplicação da BR-163, no trecho entre Cascavel e Marmelândia, distrito de Realeza, uma obra iniciada ainda em 2014 e marcada por atrasos, paralisações, denúncias de irregularidades e sucessivas trocas de governo, finalmente passa a ter um novo horizonte para conclusão. Segundo informações da concessionária EPR Iguaçu, responsável pelo Lote 6 do novo pedágio do Paraná, a entrega das obras está prevista a partir do quarto ano de concessão, o que projeta a finalização por volta de 2029, considerando que a empresa assumiu oficialmente o trecho em meados de 2025.

O trecho é considerado estratégico para o escoamento da produção agrícola do Oeste e do Sudoeste do Paraná, além de integrar um importante corredor logístico que liga o Sul do país aos estados do Centro-Oeste e às fronteiras com Paraguai e Argentina. Apesar dessa relevância, a obra se transformou em uma verdadeira novela.

A duplicação de aproximadamente 74 quilômetros da BR-163 foi contratada em 2014, mas só começou efetivamente a sair do papel em 2016. A previsão inicial era de conclusão em 2018. No entanto, passados mais de dez anos, cerca de 17 quilômetros ainda permanecem sem duplicação, mesmo após investimentos superiores a R$ 743 milhões em recursos públicos.

Histórico da Duplicação da BR-163

Desde a assinatura do contrato, a obra atravessou quatro governos federais — Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva — sem que fosse concluída. A construtora inicialmente responsável, Sanches Tripoloni, teve o contrato rescindido pelo DNIT em 2022, após paralisações e alegações mútuas de descumprimento contratual. O projeto também foi alvo de investigações da Controladoria-Geral da União, que apontou prejuízos superiores a R$ 60 milhões por sobrepreço e superfaturamento.

Com a concessão do Lote 6 das rodovias do Paraná, leiloada em dezembro de 2024, a responsabilidade pela conclusão da duplicação passa definitivamente para a iniciativa privada. A EPR Iguaçu foi a única concorrente do certame e venceu com um desconto simbólico de 0,08% sobre a tarifa básica. O contrato tem duração de 30 anos e abrange 662 quilômetros de rodovias federais e estaduais, incluindo a BR-163, BR-277 e diversas rodovias estaduais.

Em resposta à reportagem do jornal O Paraná, a concessionária informou que a duplicação do segmento entre Cascavel e Marmelândia faz parte do pacote de investimentos obrigatórios previstos no contrato de concessão. “Conforme definido contratualmente, cabe à concessionária a elaboração dos projetos executivos e a implantação das obras de ampliação de capacidade nos segmentos remanescentes, com previsão de entrega a partir do quarto ano de concessão”, informou a EPR em nota.

Além da duplicação, também está previsto a construção de um Contorno em Lindoeste, cuja conclusão deve ocorrer no quinto ano do contrato, por volta de 2030, ampliando o prazo total de intervenções estruturais na região.

Implicações do Novo Pedágio

Outro ponto que chama a atenção da população e do setor produtivo é a instalação de uma praça de pedágio em Lindoeste, justamente em um trecho onde a duplicação ainda não foi totalmente concluída. O modelo adotado será de pedágio eletrônico (free flow), sem cabines físicas, mas com cobrança automática.

Apesar do formato moderno, a tarifa projetada está entre as mais caras do Lote 6, podendo chegar a aproximadamente R$ 18,26, conforme estimativas da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, considerando a correção inflacionária e o desconto mínimo ofertado no leilão.

As tarifas, segundo a concessionária, foram definidas pelo Poder Concedente e estão vinculadas às regras contratuais, inclusive às etapas de entrega das obras.

Investimentos e Obras Adicionais

O contrato do Lote 6 prevê investimentos da ordem de R$ 20 bilhões, incluindo a duplicação integral dos trechos concedidos da BR-163 e demais rodovias do lote; implantação de vias marginais, dispositivos de interseção e retornos em nível; construção de passarelas e passagens de fauna e correções de traçado e melhoria da segurança viária.