Após 26 anos, Mercosul e União Europeia assinam maior acordo de livre comércio do mundo

Após mais de duas décadas de negociações, Mercosul e União Europeia assinam neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, o acordo de livre comércio que dará origem à maior zona comercial do mundo. O tratado cria um mercado integrado de cerca de 720 milhões de habitantes e um PIB (Produto Interno Bruto) combinado estimado em US$ 22 trilhões.

A expectativa era que o acordo pudesse ter sido assinado no mês passado, em Foz do Iguaçu, durante a Cúpula do Mercosul, quando o Brasil transferiu para o Paraguai a presidência do Bloco. No entanto, o acordo não foi aprovado a tempo pela União Europeia.

Cerimônia de Assinatura e Representantes

A cerimônia oficial contará com a presença dos presidentes do Paraguai, Santiago Peña, da Argentina, Javier Milei, do Uruguai, Yamandú Orsi, e da Bolívia, Rodrigo Paz, além da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participará do evento.

Apesar da ausência na assinatura formal, Lula recebeu ontem, no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, em uma reunião considerada estratégica pela diplomacia brasileira. Ursula von der Leyen ressaltou o caráter histórico do tratado, classificando-o como “uma conquista de uma geração inteira”.

Detalhes e Implicações do Acordo

O acordo Mercosul–União Europeia prevê a redução e, em alguns casos, a eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além de medidas para facilitar o comércio de bens e serviços entre os blocos. A expectativa é de ampliação do fluxo comercial, estímulo a investimentos e fortalecimento das cadeias produtivas.

Na União Europeia, o tratado foi aprovado na última semana por maioria qualificada dos Estados-membros, apesar da oposição de países como França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria. A Bélgica optou pela abstenção.

Mesmo com a assinatura, o acordo ainda não entra em vigor de forma imediata. Para isso, será necessária a ratificação pelo Parlamento Europeu e pelos Legislativos de cada país integrante do Mercosul.