Governador Ratinho Junior fala sobre sua intenção de disputar a presidência e as implicações para a política do Paraná - Foto: Jonathan Campos/AEN
Governador Ratinho Junior fala sobre sua intenção de disputar a presidência e as implicações para a política do Paraná - Foto: Jonathan Campos/AEN

Brasil - O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), comentou sobre a possibilidade de deixar o cargo em abril para cumprir o prazo legal de desincompatibilização e viabilizar sua pré-candidatura à Presidência da República. A decisão marca o início oficial de uma transição política no Palácio Iguaçu e insere o governador paranaense de forma direta no debate nacional sobre a sucessão presidencial de 2026.

Em entrevista durante o lançamento da obra da nova trincheira do Jardim Botânico, em Curitiba, o governador falou sobre a possibilidade de disputar a Presidência da República. “Estou envolvido em um projeto nacional, um novo modelo de gestão para o Brasil. Coloco meu nome à disposição”, afirmou Ratinho Junior ao comentar, publicamente, a possibilidade.

Em entrevistas recentes e discursos públicos, Ratinho Junior tem adotado um tom estratégico, evitando personalizar o debate eleitoral e defendendo que o foco da política brasileira deve estar em projetos e resultados concretos, não em disputas ideológicas ou vaidades individuais.

“O problema do Brasil e da política do passado é que fica sempre olhando o nome. Eu quero olhar projeto. Daqui a pouco o projeto não é eu ser candidato, é apoiar alguém que consiga aglutinar melhor um novo Brasil”, declarou.

O governador também criticou o ambiente de confronto permanente que domina a política nacional. Segundo ele, esse clima não tem trazido melhorias reais para a população. “As pessoas não estão mais aguentando esse ambiente de briga política que não está trazendo resultado nenhum para a dona Maria. Ela não está conseguindo melhorar a vida”, afirmou.

Ratinho citou o Paraná como exemplo de gestão voltada a resultados, destacando avanços na educação, geração recorde de empregos formais, queda histórica nos índices de criminalidade e o maior volume de obras de infraestrutura já executado. “O nosso turismo está crescendo muito e, acima de tudo, temos um ambiente institucional de paz política muito bom, que é o que o Brasil precisa”, disse.

PSD quer candidato próprio

Ratinho Junior afirmou que o PSD trabalha para lançar um nome próprio à Presidência da República e que o partido está estruturado nacionalmente para isso. “O partido está organizado, tanto estadual quanto nacionalmente. Nós teremos candidato ao governo do partido, e o partido vai trabalhar para ter um candidato a presidente da República do partido”, declarou.

Apesar disso, ele pondera que a definição não será simples e dependerá de consenso interno. Caso outro nome seja considerado mais capaz de unir forças e liderar um novo projeto nacional, Ratinho não descarta apoiar essa alternativa. “Se meu nome for esse nome escolhido internamente, eu fico muito honrado e obviamente vou aceitar o desafio, mas isso tem que ser construído internamente”, reforçou.

Ratinho entre os mais competitivos

A movimentação de Ratinho Junior ocorre em um cenário em que seu nome já aparece com competitividade em pesquisas nacionais. Levantamento Genial/Quaest, realizado entre 8 e 11 de janeiro com 2.004 eleitores, mostra o governador do Paraná como um dos nomes mais competitivos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em simulações de segundo turno.

No confronto direto, Lula aparece com 43%, contra 36% de Ratinho Junior. Entre eleitores independentes, o paranaense lidera por 35% a 33%. Já entre a direita não bolsonarista, Ratinho alcança 67% das intenções de voto, enquanto Lula oscila entre 7% e 9%.

Os números colocam Ratinho em posição semelhante à de outros governadores cotados para a disputa, como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO).

Sucessão no Paraná entra no radar

A possível saída do governador em abril acelera também a disputa pela sucessão no Paraná. Ratinho Junior afirma que a escolha de um sucessor não será individual, mas construída coletivamente, envolvendo prefeitos, sociedade civil organizada e partidos aliados.

“Eu nunca penso só numa pessoa, eu penso no time, isso é o mais importante”, disse, ao lembrar que estão em jogo quatro vagas majoritárias no Estado.

Nos bastidores, três nomes do PSD aparecem como principais postulantes ao governo: Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa; Guto Silva, secretário das Cidades; e Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba e atual secretário do Desenvolvimento.

Paralelamente, ganha força a possibilidade de um entendimento político com o senador Sergio Moro (União Brasil), que articula uma candidatura ao governo estadual. A eventual aliança, no entanto, é vista com cautela por aliados de Ratinho, que lembram o histórico de rupturas políticas de Moro e avaliam os riscos de longo prazo.