SÃO PAULO – A polícia de São Paulo prendeu na noite de quinta-feira um guarda civil metropolitano de Santo André, no ABC paulista, suspeito de envolvimento na execução de cinco jovens da zona leste de São Paulo. Ele teve a prisão temporária decretada por 30 dias. A polícia trabalha com a hipótese de que o crime teria sido motivado pela morte de um guarda civil em setembro e ainda investiga a participação de outras pessoas.

O agente confessou à polícia ter criado perfis falsos em uma rede social, passando-se por garotas para atrair os jovens para uma festa, mas negou participação no assassinato do grupo, segundo o advogado Ariel de Castro Alves, membro Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana (Condepe), que acompanha as investigações.

Os jovens, com idades entre 16 e 30 anos desapareceram no último dia 21 de outubro quando iam a uma suposta festa em Ribeirão Pires, no ABC paulista. Os corpos foram encontrados no último domingo, em uma região de mata em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo – a polícia identificou quatro deles até a noite desta quinta-feira.

Segundo a diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Elizabete Sato, o crime teria sido motivado por vingança pela morte de um guarda civil metropolitano que foi vítima de latrocínio, o roubo seguido de morte, no dia 24 de setembro deste ano. O agente preso suspeitava da participação de um dos jovens no crime.

Em depoimento ao DHPP, o guarda, que não teve o nome divulgado pelas autoridades, teria confessado que armou uma emboscada para atrair os rapazes. Os perfis nas redes sociais foram retirados do ar pouco depois dos rapazes desaparecerem.

As cinco vítimas foram identificadas como sendo Robson Fernandes Donato de Paula, de 16 anos, Caíque Henrique Machado Silva, Jonathan Moreira Ferreira, ambos de 18, Cesar Augusto Gomes da Silva, de 19 anos, e Jonas Ferreira Januário, de 30.

Segundo Castro Alves, as famílias pretendem retirar os corpos do Instituto Médico Legal (IML) nesta sexta-feira. Como os quatro era muito amigos, a ideia é que sejam enterrados juntos no sábado. Vizinhos e parentes fazem um rateio para custear o velório.

ATO PELAS MORTES TERMINA EM CONFUSÃO

Um protesto pela morte das jovens na noite de quinta-feira terminou em confusão. Eles entraram no saguão da secretaria estadual de Segurança Pública e policiais militares tiveram que fazer um cordão para que o grupo não avançasse. Eles queriam protocolar um ofício com o secretário Mágino Alves Barbosa Filho, que concordou em receber representantes do movimento.

No entanto, quando Mágino se aproximou dos manifestantes para falar com as lideranças, atiraram água nele e em seus assessores. O secretário foi alvo de gritos de ?genocida? e deixou o local cercado por seguranças.