HAVANA – Fã incondicional e amigo do ex-líder cubano Fidel Castro, o jovem Elián González ? símbolo de uma das mais acirradas disputas entre Cuba e EUA ? afirmou que a resposta às declarações de Donald Trump que o chamaram de “ditador brutal” é a grande presença de cubanos em seu funeral. Pivô de uma disputa migratória quando foi resgatado na costa da Flórida em 1999 após a morte da mãe, em alto mar, ele disse que o presidente eleito dos EUA pode ser prejudicial ao processo de degelo entre os países. fidel
? Não acho que tantas pessoas poderiam chorar por causa de alguém que, como ele (Trump) disse, é um ditador, causou fome ou estragos na população. As pessoas estão dando amor a ele. E é o amor que ele lhes deu, e agora é retribuído ? avaliou o cadete universitário à imprensa no evento.
Elián elogiou ainda o “grande passa” da reaproximação entre EUA e Cuba, impulsionada pelos presidentes Raúl Castro e Barack Obama.
? O que Trump faria seria retroceder em tudo.
Elián manteve uma relação próxima com o ex-líder cubano após o imbróglio no qual foi centro de uma disputa entre parentes cubanos e americanos enquanto único sobrevivente da tentativa de sua mãe de entrar nos EUA, em 1999, com só 5 anos. Trazido de volta à ilha por esforços do pai e de Fidel após uma dura briga com as autoridades americanas, ele lembrou do “comandante” como um grande amigo e um segundo pai.
? Fidel começou a ser aquele pai como todos os que começam como pais, mas o difícil é que um pai se torne um amigo sem deixar de ser pai ? disse Elián à rede ABC na noite de sábado. ? Ele começou como aquele pai até se tornar um amigo e, como para meu pai, eu queria mostrar a ele tudo o que consegui para que ele pudesse se orgulhar de mim.
Elián sobreviveu no mar e virou alvo de uma disputa política após sua mãe, o namorado e outros nove morrerem ao tentar entrar nos EUA. Foi resgatado em um cano e, quando na Flórida, foi adotado pelos tios. Uma batalha judicial teve início entre o pai de Elián, que pediu que o filho fosse devolvido a ele em Cuba, e parentes em Miami, que insistiam em ficar com o garoto. O governo cubano organizou passeatas pelo direito de o pai reaver o filho. O caso culminou com uma dramática incursão em uma casa onde os agentes federais americanos resgataram Elián sob a mira de um fuzil ? e ele foi embarcado de volta para o país em junho de 2000.
Elián ficou fora de vista durante os anos seguintes, com sua privacidade guardada por seu pai e por agentes cubanos. Ele ingressou em uma academia militar como cadete por algum tempo, e estudou engenharia industrial na Universidade Camilo Cienfuegos, em Matanzas.ão o temos mais aqui, cabe a nós liderar o caminho e cumprir a revolução.