
Brasil - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), confirmou nesta quarta-feira (2) a aplicação de uma tarifa recíproca de 10% sobre produtos do Brasil. Para outros países, cobrará uma taxa próxima da metade que as outras nações aplicam sobre produtos norte-americanos. A China, por exemplo, será taxada em 34%. A UE (União Europeia), em 20%. “Isso é meio recíproco, não totalmente recíproco”, disse Trump ao anunciar a medida na Casa Branca.
Segundo o republicano, a política tarifária é uma “declaração de independência econômica” dos EUA. Também descreveu o anúncio como “um dos momentos mais importantes da história norte-americana”.
Tarifaço
A política comercial de Donald Trump atingiu seu ápice nesta quarta-feira, com o início da cobrança das tarifas recíprocas. O presidente apelidou a data de “Liberation Day” (“Dia da Libertação”, em português) porque, segundo ele, marca o momento em que os EUA se libertam do que ele chamou de comércio estrangeiro “injusto”.
O republicano aplicou diversas tarifas sobre produtos e parceiros comerciais desde o início de seu segundo mandado, em 20 de janeiro, com o objetivo de fortalecer a economia do país, reverter déficits comerciais e recuperar a competitividade da indústria norte-americana.
A primeira medida tarifária foi anunciada em 1º de fevereiro. Na ocasião, Trump aplicou 25% sobre produtos do México e do Canadá com a justificativa de que os países eram responsáveis pela chegada de “inúmeros e horríveis” imigrantes aos EUA, pela entrada de drogas no país e pelo déficit nas contas públicas. O pacote entrou em vigor em 4 de março.
Automóveis
O documento assinado ontem por Trump prevê ainda a imposição de tarifas de 25% sobre a importação de automóveis e peças automotivas, sob a alegação de riscos à segurança nacional. As novas taxas entram em vigor hoje para veículos e em 3 de maio para peças.
Reciprocidade
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (2) o requerimento de urgência do projeto de lei que autoriza o Brasil a adotar reciprocidade tarifária e ambiental no comércio com outros países. O texto responde às medidas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Com a proposta, aprovada com 361 votos a favor e 10 contra, além de duas abstenções, o texto pode seguir diretamente ao plenário sem passar por comissões temáticas. O projeto foi aprovado pelo Senado na terça-feira (1º) com 70 votos a favor e nenhum contra.
Vale para todos os países com os quais o Brasil faz comércio, mas ganhou força depois de Trump ampliar para 25% a taxa de importação de aço e alumínio do Brasil. O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, planejava obstruir a votação para pressionar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a pautar o projeto de lei 2.858 de 2022, que anistia os condenados pelo 8 de Janeiro. No entanto, de última hora, o líder da sigla na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), mudou de posição e orientou a bancada a votar “sim”. Ele justificou a decisão como uma “homenagem ao agronegócio brasileiro”.