Voto em separado PT culpa Temer, PSDB, Cunha e TCU por impeachment

BRASÍLIA – O PT e o PCdoB apresentam na Comissão do Impeachment do Senado, nesta terça-feira, voto em separado, contrário ao impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff.

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O documento elaborado pelo PT, assinado pelos senadores Lindbergh Farias (RJ), Gleisi Hoffmann (PR), e a peemedebista Kátia Abreu (TO), culpa o PSDB, o Tribunal de Contas da União, o presidente interino, Michel Temer, e o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pelo ?golpe branco e manso? contra a petista.

?Mudaram os eufemismos e as circunstâncias históricas, mas golpe é sempre golpe?, diz trecho do texto.

No voto, o PT responsabiliza os tucanos por encontrarem no impeachment a solução para o terceiro turno eleitoral, já que Aécio Neves foi derrotado por Dilma nas urnas.

?O candidato derrotado no segundo turno das eleições, senador Aécio Neves, que chegou a comemorar vitória antes do fim da apuração, não aceitou a derrota. Ao se dirigir à Nação após o resultado das urnas, disse que ?a prioridade era unir o Brasil?. Mera retórica. Aécio e seu partido inflaram a divisão na sociedade, juntamente com alguns movimentos alinhados à direita, para desgastar a imagem do governo?, diz o texto.

Criou-se na sociedade, segundo os petistas, a mensagem de que o o governo eleito não tinha legitimidade, pois havia sido eleito com os votos de ?pessoas ignorantes?, que foram ?compradas? por programas sociais.

O voto do PT cita o ministro da Propaganda do governo nazista alemão, Joseph Goebbels, como um exemplo seguido pelos partidos contrários a Dilma.

?O ódio se aprende com desinformação, com distorção e com mentiras. Foi necessário repetir à exaustão, como ensinava Goebbels, que os problemas da Alemanha tinham sua origem nos ?ratos judeus? para que o Holocausto se tornasse palatável. No Brasil, a estratégia foi repetir, de forma sistemática, mentirosa e distorcida, que os governos do PT eram os mais corruptos da história do Brasil e que haviam submergido o País na sua pior crise?, sustenta o voto.

O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é chamado de ?artífice do golpe?, usando sua influência para mobilizar o Congresso a favor do impeachment.

?Enquanto o PSDB trabalhava para ?sangrar? Dilma com as ‘pedaladas’, Cunha iniciava suas articulações pela ascensão de Michel Temer?, sustenta o documento.

Há um capítulo reservado ao vice de Dilma e atual presidente interino, Michel Temer. Chamado de traidor, o PT diz que ele teve como aliados o PSDB, a quem prometeu não disputar a eleição de 2018, se apoiasse o impeachment, e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Para o partido de Dilma, enquanto negociava votos a favor do impeachment, Temer construía um plano de governo, o ?Ponte para o futuro?, documento chamado pelos petistas, no voto em separado de ?Pinguela para o passado?.

O PT diz, ainda, que o Tribunal de Contas da União teve papel fundamental, produzindo munição contra a presidente.

?Na construção do golpe, o Tribunal de Contas da União desempenhou papel de protagonista. Ao julgar as contas de governo de 2014 produziu munição por quase um ano, para ?sangrar? a imagem de Dilma Rousseff, alimentou o debate e serviu de justificativa para o pedido de impeachment contra a presidenta?, afirma o texto dos dilmistas.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB- AM) também apresentará um voto contra o impeachment. Ela preferiu fazer um documento sozinha como registro histórico.

JK

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