Missal – Em condições normais da cultura de soja, este seria o período em que a maior parte das lavouras estaria em processo de floração e enchimento de grãos. Mas o calor extremo – com temperaturas acima dos 30ºC e sensação térmica de 40ºC – e a falta de chuva fizeram com que pelo menos 30% das áreas cultivadas tivessem o ciclo antecipado. A situação é mais grave na região beira Lago de Itaipu.

Isso significa que algo em torno de 120 mil hectares estão prestes a ser dessecados pelos produtores. A colheita dessas áreas, prevista inicialmente para o período de 15 a 20 de janeiro, será antecipada em quase um mês. A partir da próxima semana os produtores já estarão com as máquinas no campo.

Segundo o técnico do Deral (Departamento de Economia Rural) do Núcleo Regional da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento) em Cascavel José Pértille, há municípios na região do Lago onde não chove há um mês, a exemplo de Itaipulândia e Missal. “As chuvas registradas na semana passada não caíram em toda a região. Em Santa Tereza do Oeste, por exemplo, do lado direito da rodovia [BR-277 sentido a Foz do Iguaçu] não choveu semana passada e do lado esquerdo choveu bem. A falta de chuva preocupa e muito. Em um mês a condição das lavouras mudou muito, de extremamente favoráveis para muito preocupantes”, revela o técnico, que tem feito visitas diárias às lavouras e tem encontrado cenários ruins.

Segundo Pértille, a queda de produtividade já é certa. “Já temos quebra de produtividade em toda a região oeste, só não sabemos quantificar o percentual ainda. Isso só será possível em alguns dias, mais perto da colheita, mas as perdas já são certas e a palavra de ordem no campo é preocupação”.

Além da perda nos grãos, a qualidade também foi comprometida. Como o grão não consegue se desenvolver bem, o enchimento das vagens é uma dúvida constante.

Cada vez mais ferrugem

Somado aos fatores climáticos que preocupam os produtores que cultivaram quase 1,1 milhão de hectares e que esperavam colher 3,9 milhões de toneladas na região oeste do Paraná, há a enxurrada de casos de ferrugem asiática na soja.

A região já tem pelo menos 20 registros confirmados da doença em lavouras comerciais, número dez vezes maior que os contabilizados no mesmo período do ano passado e cinco a mais em apenas uma semana.

Além disso, a própria administração do mapa que aponta os casos de ferrugem, atualizado pela Embrapa Soja, reconhece que há mais casos porque nem todos chegam ao conhecimento do consórcio. “Isso é um extrato, o número de registros de fato deve ser muito maior do que está contabilizado pelo consórcio porque nem todas as informações chegam até nós”, afirma o pesquisador da Embrapa e engenheiro agrônomo Rafael Moreira.

A doença pode devastar cultivos inteiros caso não seja controlada com rapidez e precisão. Para se ter ideia, as aplicações de fungicida, que em outras safras eram feitas a cada 18 dias, agora são feitas a cada 14 dias. Há produtores que já realizaram cinco aplicações e pode haver mais uma até a colheita. Em safras consideradas normais, ocorriam de quatro a cinco aplicações durante todo o ciclo.

Previsão do tempo

A chuva registrada ontem em Cascavel não foi vista em todas as cidades do oeste. Aliás, na maioria dos municípios próximos ao Lago de Itaipu não foi registrado um único milímetro de precipitação. Em alguns pontos nessas cidades houve pancadas ocasionais e rápidas.

A condição promete mudar um pouco a partir desta quinta-feira, com o aumento de nebulosidade. Na sexta-feira, no sábado e no domingo, segundo o Simepar, a chuva chega com bom volume nos municípios lindeiros. Em Itaipulândia, Missal, Mercedes e Santa Terezinha de Itaipu poderá chover nesses três dias quase 100 milímetros. O maior volume é esperado para sábado: (80mm). As temperaturas continuam elevadas. Máxima na casa dos 30ºC e mínima acima dos 20ºC.