As altas temperaturas registradas nos últimos dias fizeram com que consumidores buscassem alternativas para suportar o calorão. Em uma loja de móveis e eletrodomésticos no Centro de Cascavel, a grande procura por aparelhos de ar-condicionado obrigou a empresa a repor o estoque antes do previsto. “Nos últimos 20 dias a procura foi tão grande que precisamos antecipar a reposição que normalmente faríamos no fim de novembro pensando no início do verão e nas férias”, explica o gerente Rogério de Mello Freitas.

Em outra loja de departamentos, na última sexta (3), quando a temperatura passou dos 38ºC em Cascavel, os clientes formaram fila para garantir a compra do aparelho.

Além das temperaturas recordes, o comércio também recebeu outro estímulo. É que, com a fronteira fechada e o dólar nas alturas, o jeito é recorrer ao comércio local. Mesmo assim, tem gente esperando a reabertura da Ponte da Amizade para adquirir o equipamento. “Prefiro passar um pouco mais de calor e comprar no Paraguai. Ainda não fiz a cotação de preços exata, não sabemos como vai estar o dólar, mas, como pretendo comprar mais de um aparelho, acredito que devo economizar em torno de R$ 700 a R$ 800”, avalia o representante comercial Eli Correia.

Cadê o instalador?

Quem não tem reclamado são os profissionais que instalam e fazem a manutenção dos equipamentos de ar-condicionado. Em alguns casos, o consumidor precisa esperar até cinco dias ligar o aparelho, porque as agendas das equipes que prestam esses serviços estão lotadas.

Osvaldo Alves da Silva tem 15 anos de experiência no ramo de instalação e conserto dos equipamentos e precisa agendar com antecedência orçamentos e atendimentos aos clientes. “Os serviços dobraram nos últimos dias. Mesmo se eu trabalhasse dia e noite não daria conta da demanda. Na semana passada, cheguei a fazer dez visitas no mesmo dia, entre orçamentos e instalações”, revela.

Esli Lourenço trabalha desde 2011 com venda, instalação, manutenção e conserto de ar-condicionado em Cascavel. Ele conta que o número de atendimentos multiplicou. “Fazíamos em média dez instalações de ar-condicionado por mês. Nas últimas duas semanas [de 20 de setembro até 5 de outubro], foram cinco instalações por dia”, comemora.

Ficar fresquinho não é de graça

Os equipamentos de ar-condicionado domésticos variam de R$ 950 a R$ 3 mil, que podem ser parcelados em até 24 vezes. Mas a despesa não acaba aí. Além da instalação do produto, se ficar ligado uma hora por dia, um aparelho de 12.000 BTUs consome 25 kWh/mês. Se funcionar por 4 horas/dia, o consumo chega a 100 kWh/mês.

Para se ter uma ideia, uma residência gasta, em média, de acordo com a EPE (Empresa de Pesquisa Energética, do governo federal), 157,9 kWh/mês, ou seja, se ficar com o aparelho ligado todos os dias por apenas quatro horas, ao fim do mês sua conta de energia elétrica será 63% mais cara.

Na casa da Luciana, a conta de luz já subiu. “Em setembro, paguei 20% a mais que no mês anterior. Deu cerca de R$ 100 de aumento na fatura e, com certeza, a de outubro será ainda mais alta porque, com o calor que fez nos últimos dias, usei muito mais. Porém, levo em conta o bem-estar. É o preço do conforto, nesse caso”, avalia a gerente financeira.

Ventiladores em falta

Opção mais barata e econômica, os ventiladores também têm sumido rapidamente das prateleiras. Joyce Oliveira é vendedora em uma loja na Avenida Brasil e conta que este mês a comissão será maior: “Só eu vendi cinco ventiladores na mesma semana e não fiz mais vendas porque faltou. Deve chegar até o fim da semana”.

Esse, inclusive, é um problema que os varejistas estão enfrentando: “Os empresários não ficaram sem ar-condicionado, mas sem ventiladores, sim. A indústria solicitando mais tempo para entregar porque está faltando matéria-prima”, explica Leopoldo Furlan, presidente do Sindilojas (Sindicato dos Lojistas e do comércio Varejista de Cascavel e Região).