Judoca de Umuarama Any Moreira vai treinar no melhor clube do País

A atleta, que treina e luta desde os 9 anos de idade, agora vai treinar com equipes de ponta

A jovem mas grande lutadora de umuaramense Any Moreira vai deixar a Capital da Amizade em busca de novas vitórias. Ela embarcou na última quarta-feira (15) para o estado de Minas Gerais. Any conseguiu uma vaga para treinar com os melhores do País, no Minas Tênis Clube.

Any Karolina de Paula Moreira, que tem apenas 18 anos, deixou família e amigos para trás na busca da profissionalização. A meta, tratada por ela como “consequência”, é participar dos Jogos Olímpicos de Paris, de 26 de julho a 11 de agosto de 2024.

A atleta, que treina e luta desde os 9 anos de idade, agora vai treinar com equipes de ponta. Dentre os grandes nomes está o judoca que foi destaque na seleção brasileira e medalhista em praticamente todas as competições em que participou e também campeão mundial, Luciano Correia, hoje sensei em seu instituto em Belo Horizonte.

Any lembra que do Minas Tênis Clube saíram grandes campeões. Erika Miranda, por exemplo, defendeu o clube entre 2006 e 2012, sendo contratada pelo flamengo, por onde ficou por um ano e depois retornou ao Minas. Nos Jogos Pan-Americanos de 2015, Érika conquistou a medalha de ouro na categoria até 52 kg.

Outras referências de Any são Eduardo Bettoni, convocado pela seleção brasileira em 2018 para o Grand Slam de Judô de Paris e Mariana Silva, a musa do judô brasileiro, medalha de prata no Campeonato Pan-Americano de 2011, em Guadalajara e de bronze na edição de 2010, em San Salvador. Também foi medalha de bronze no Campeonato Mundial Junior de 2009 em Paris e integrou a delegação que disputou os Jogos Olímpicos de Verão de 2012 em Londres no Reino Unido além de ter sido semifinalista nos Jogos Olímpicos de 2016, quando perdeu a disputa pelo bronze para a holandesa Anicka van Emden.

Any fará parte de um novo projeto do Minas Tênis Clube que começa no meio do ano de 2020.

Apesar da saída para um uma nova etapa em sua vida de atleta, recebendo condições de melhorar o ritmo e crescimento na carreira, a judoca de Umuarama não desmerece o tratamento e o treinamento recebido no noroeste do Paraná. Ao contrário, ela se mostra grata por tudo o que recebeu dos companheiros que a acompanharam desde os primeiros golpes dados e recebidos por ela no tatame.

“Sou grata aos amigos, pois não considero somente professor, alunos e colegas de turma. São todos meus amigos e companheiros. Sem eles não conseguiria chegar onde cheguei”, diz a atleta, referindo-se principalmente ao sensei Juan Jimenes.

Primeiras vitórias

Durante a entrevista concedida ao jornal Tribuna Hoje News, Any Moreira fez questão de relembrar de suas primeiras vitórias no tatame. Seu primeiro campeonato foi a Copa Ortoplus, em Maringá, quando aos 10 anos de idade, conquistou o primeiro lugar na categoria 35 quilos.

Um passo da faixa preta

Atualmente Any Moreira está na categoria peso meio leve, para atletas que pesam até 52 quilos e ainda usa a faixa marrom. A judoca disse que está a apenas um passo de receber a faixa preta e explica como um campeonato brasileiro pode ajuda-la nesta conquista. “Pretendo pegar a faixa preta em até dois anos, mas pode ser que se eu conseguir a graça de participar de um Campeonato Brasileiro, ela possa vir mais cedo”, salienta.

Para conseguir uma faixa preta, o atleta deve passar por um processo seletivo criterioso. Deve seguir um curso com disciplinas que envolvem arbitragem, interação de técnicas do judô e há também a soma de pontos para que possa chegar ao exame, além de provas práticas e teóricas. “Apesar disso, quando o atleta é considerado de alto rendimento, a graduação se dá através dos resultados e algumas vezes campeões brasileiros são graduados com a faixa preta”, explica.

Any Moreira e o sensei Juan Jimenez, com quem treinou em Umuarama- Foto: Arquivo Pessoal

Burocracia

Any já conheceu o ambiente em que pretende viver e treinar por um longo tempo. “Passei uma semana lá, foi puxado, apesar de ser começo de férias, apanhei muito, mas a vontade de vestir a camisa e estar naquele meio todos os dias foi maior”, lembra, do período de testes que teve que se submeter até ser chamada para fazer parte da seleta lista de atletas que tiveram a mesma chance.

“Além dos testes e treinamentos, estive lá também para ver como iria me sustentar, pagar a faculdade, como e onde iria me instalar. Depois que conheci tudo falei com meus pais e tomei a decisão”.

Depois que manteve o contato com o sensei de BH, quando foi chamada, Any começou a conhecer o lado burocrático do esporte. “Fizeram contrato e conheci também como funciona todo o processo de transferência, treinos, competições, visitas em casa e assinei contrato’, comenta. Passaram-se as festas de final de ano e a atleta já estava preparada para a viagem. No Natal e no Reveillón aproveitei os últimos momentos juntos com a família, pois o treino é ´puxado, a passagem é cara, a distância é grande e por isso acho que, para voltar pra casa vai ser difícil, é claro que terei raros momentos de folga e tenho certeza que vou aproveitá-los ao máximo. Quando der pra viajar e visitar a família vou estar de volta à Umuarama”.



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