Cascavel – Ainda longe de atingir sua capacidade máxima para o transporte de cargas por vagões, na casa de 9 milhões de toneladas por ano, a Ferroeste alcança em 2018 o melhor desempenho de escoamento por trilhos da sua história. Isso é o que revela o relatório parcial da ferrovia relativo a janeiro a outubro deste ano.

Foram exportadas quase 382 mil toneladas pelos 248,6 quilômetros de ferrovia de Cascavel a Guarapuava contra pouco menos de 355 mil toneladas no mesmo período de 2017, avanço de 8%.

Até as importações – que de modo geral recuaram cerca de 30% na região diante de um dólar bem valorizado perante o real tornando a compra de produtos estrangeiros menos atrativa – cresceram. No ano passado as importações transportadas pela Ferroeste somaram 104,5 mil toneladas, neste ano, em dez meses, passam de 122,3 mil toneladas.

Limitações

A justificativa está, segundo o presidente da Ferroeste, Ricardo Soares Martins, na intensificação do movimento dos vagões, sobretudo no último mês. Contudo, ele reforça que esses números seriam mais facilmente superados se alguns problemas fossem sanados: “Os equipamentos são muito velhos, há um custo alto de manutenção com um trecho que vai só até Guarapuava, temos dificuldade de vender frete até Paranaguá, pois dependemos de terceiros”, lista.

Essa dependência ocorre devido à concessão da Rumo Logística que opera entre Guarapuava a Paranaguá e que precisa liberar a utilização do seu trecho para que os vagões sigam viagem.

Números históricos

Mesmo assim, a direção da Ferroeste estima que até 31 de dezembro sejam transportados pela ferrovia 800 mil toneladas úteis e o faturamento deverá chegar aos R$ 20 milhões neste ano, números históricos para a ferrovia. “Esses volumes só foram atingidos por conta de um trabalho feito em parceria com a Rumo neste fim de ano. Acho que o fato da mudança da presidência e a busca por um relacionamento melhor gerou uma parceria entre todos: clientes, Ferroeste e a Rumo”, avalia Ricardo.

Na lista dos itens mais transportados neste ano está a soja, responsável por mais da metade das operações, seguida pelos contêineres de carne de frango e cimento.

Modal mais eficiente

A ferrovia se mostra como ma excelente alternativa para o escoamento da produção agrícola e tem custo operacional bastante inferior ao transporte por caminhões, por exemplo. Para se ter ideia, somente no oeste a produção anual de grãos chega a 14 milhões de toneladas. O escoamento das commodities e dos produtos transformados – como a proteína animal – segue essencialmente por rodovias.

Até o fim da primeira quinzena de dezembro, quatro consórcios deverão apresentar os projetos com traçados para a nova ferrovia que aproveitará os trilhos do trecho de Cascavel a Guarapuava e com e extensão total de quase mil quilômetros ligando Dourados (MS) a Paranaguá (PR). A nova malha, que deverá ser licitada no segundo semestre de 2019, está preliminarmente prevista em R$ 10 bilhões.

A nova ferrovia promete chegar como uma espécie de divisor de águas para a produção paranaense, do Mato Grosso do Sul e do Paraguai.

Analisando apenas os números do Paraná, o PIB do Estado está hoje na casa dos US$ 115 bilhões e figura entre as cinco maiores economias do País com dependência de quase 98% do modal rodoviário para transporte.

Ao justificar o novo traçado da ferrovia, o próprio Estado reconhece que “nas últimas décadas a produção agrícola e o Porto de Paranaguá se modernizaram, mas a ligação campo-porto continua com a mesma infraestrutura ferroviária obsoleta em um Estado que responde por um terço da produção brasileira de soja e milho e um quarto da produção de carne de frango no País e 16% da carne suína brasileira”.