A prefeitura contratou sem licitação empresas que têm entre os acionistas o pai e o tio do líder do PMDB na Assembleia Legislativa (Alerj), André Lazaroni para concluir obras da Olimpíada depois de romper o contrato com empresas escolhidas em concorrência pública. A substituição das empreiteiras ocorreu porque, segundo a prefeitura, elas não conseguiriam cumprir com os prazos acordados em contratos. A informação foi publicada na edição desta sexta-feira do jornal Folha de São Paulo, após aprofundar uma reportagem levada ao ar esta semana pelo SBT. As construtoras Zadar e Engetécnica assumiram, respectivamente, as obras do Centro Olímpico de Hipismo (Deodoro) e do velódromo (Parque Olímpico da Barra). Segundo a reportagem da FSP, ambas assumiram contratos que ultrapassavam cerca de R$ 100 milhões.

As duas empresas pertencem ao grupo Riwa, que por intermédio do Consórcio Onda Azul já havia vencido a concorrência para construir o Estádio Olímpico de Esportes Aquáticos, orçado atualmente em R$ 235 milhões.

Procurada pelo GLOBO A assessoria do Grupo Riwa informou que respondeu a um convite da prefeitura ? prática comum em contratos emergenciais ?e ofereceu o melhor preço para concluir as obras. Segundo a empresa, os parentes de Lazaroni trabalham no setor há décadas, tendo começado quando o deputado sequer era nascido. Em nota, Lazaroni afirmou não ter qualquer ligação com o grupo empresarial.

?Nunca participei de nenhuma ação das empresas. A informação sobre a obra de finalização do Centro Olímpico de Hipismo e do Velódromo, dos Jogos Olímpicos, tem procedência, porém confunde o leitor (da FSP_ faz parecer que tive ou tenho algo a ver com a indicação. Sou deputado desde 2002, com dedicação exclusiva ao parlamento?, afirmou André.

Responsável pelas obras, a Empresa Municipal de Urbanização (Rio Urbe), por sua vez, alegou que não haveria tempo de realizar uma nova licitação para concluir as obras “Foram consultadas diversas empresas de engenharia, todas com notória qualificação técnica, para tomada de preços?, informou o órgão. As empresas escolhidas foram as que ofereceram os preços mais baixos.

Segundo o órgão, no caso do Velódromo das quatro empresas consultadas, três apresentaram propostas: Volume Construções (|R$ 74,7 milhões), Engetécnica (R$ 55,4 milhões) e Tensor Empreendimentos (R$ 69,2 milhões). A quarta empresa, a Odebrecht recusou o convite de fazer um lance. No caso do Centro de Hipismo, também foram sondadas quatro empresas mas apenas três apresentaram propostas: MJRE Construtora (R$ 68 milhões), Zadar (R$ 66,1 milhões) e Globo Construções e Terraplanagem (R$ 68,8 milhões). A Queiroz Galvão, que foi sondada, decidiu não dar um lance.

Embora seja do mesmo partido .Lazaroni não é considerado do grupo político ligado do prefeito Eduardo Paes. Mas foi um dos aliado do ex-governador Sérgio Cabral, de quem foi secretário de Esporte e Lazer. A Folha lembrou ainda que essa não é a primeira relação entre políticos e obras olímpicas. Segundo a reportagem, uma empresa da família do ministro dos Esportes, Leonardo Picciani (PMDB), foi fornecedora de brita para a construção do Parque Olímpico da Barra.Já uma empresa da família do secretário de Turismo e tesoureiro de campanha de Paes, Antonio Pedro Figueira de Mello, foi a responsável pelo gerenciamento de obras para os Jogos.