Foz do Iguaçu – Um estudo inédito, com participação de pesquisadores da Itaipu Binacional e da UFPR (Universidade Federal do Paraná), pretende auxiliar na construção de protocolos para o abate humanitário de peixes. Esse tipo de protocolo já existe na cadeia produtiva de aves, bovinos e suínos, mas ainda não na piscicultura.

Conforme o engenheiro agrônomo André Watanabe, da Divisão de Reservatório da Itaipu, o abate humanitário nessas cadeias produtivas utiliza eletrochoques para sedar os animais antes do abate propriamente dito. Com peixes, utiliza-se gelo, processo que é bem mais demorado e não elimina o sofrimento do animal.

“O uso da eletricidade permite processo de atordoamento mais rápido e econômico”, explica Watanabe. “E também resulta em uma carne de melhor qualidade. Porém, o emprego dessa técnica para os peixes requer mais estudos. Há uma grande variação na eficiência de atordoamento em função das características de cada espécie, como o tamanho, por exemplo. Para cada espécie poderá existir um procedimento específico”, acrescenta.

Para estabelecer esses protocolos, o Labea (Laboratório de Bem-estar Animal), da UFPR, firmou uma parceria técnica com a Itaipu, que consistiu no uso de equipamentos de pesca elétrica, importados pela Itaipu para a captura com fins de monitoramento e estudos desenvolvidos sobre espécies nativas do Rio Paraná. Atualmente, a equipe possui um sistema específico para aplicação na piscicultura.

A parceria resultou em artigo científico recém-publicado na revista Ciência Rural. Os estudos utilizaram 140 peixes das espécies jundiá e pacu, distribuídos em dois grupos, usando voltagens diferentes. “Os testes realizados com o pacu e o jundiá são inéditos e certamente serão referência para estudos e futura publicação normativa a respeito desse método para a indústria de pescado, o que é bastante importante para a região oeste do Paraná, onde se encontra um dos principais polos de cultivo de peixes do País”, garante Watanabe.