São Paulo – O número de empresas com contas em atraso e registradas nos cadastros de devedores acelerou no último mês de setembro e apresentou alta de 9,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado. O avanço no volume de empresas devedoras foi puxado principalmente pela Região Sudeste, onde o crescimento foi de 17,16% na comparação anual. Nas demais regiões também houve alta na quantidade de empresas inadimplentes, mas em patamares menores: 4,6% no Sul; 4,38% no Centro-Oeste; 2,78% no Nordeste e 1,83% no Norte.

Os dados são do Indicador de Inadimplência da Pessoa Jurídica apurados pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito). Na comparação entre agosto e setembro de 2018 o indicador teve uma alta mais modesta, de 0,56%.

Na avaliação do presidente da CNDL, José Cesar da Costa, as dificuldades econômicas persistem, mesmo com o fim da recessão e, o cenário de desemprego elevado e de queda do faturamento das empresas continua afetando a capacidade de pagamento tanto das empresas quanto da população. “No início do ano se esperava uma recuperação mais forte da economia, mas isso não se concretizou. O desemprego ainda segue bastante elevado, o que limita o consumo e, em consequência, o faturamento das empresas e a própria capacidade de solvência das empresas”, explica o presidente.

O volume de dívidas em atraso no nome de pessoas jurídicas também acelerou em setembro, com alta de 7,25% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Indústria da construção recua

Os indicadores de nível de atividade e de emprego na indústria da construção voltaram a cair em setembro, o que confirma a estagnação do setor, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria). O índice de nível de atividade recuou para 45,7 pontos e o de emprego foi para 45,1 pontos no mês passado, segundo a Sondagem Indústria da Construção, divulgada ontem (29) pela entidade.

Os indicadores variam de 0 a 100 pontos. Quando estão abaixo dos 50 pontos mostram redução da atividade e do emprego.

Conforme a pesquisa, o índice de utilização da capacidade de operação subiu para 61% no mês passado, o maior nível deste ano. Mesmo assim, o setor mantém a elevada ociosidade, pois operou com 39% das máquinas, dos equipamentos e do pessoal parados.

De acordo com a CNI, o setor enfrenta uma série de problemas, como baixa demanda, burocracia excessiva e situação financeira delicada, assim como a incerteza com relação aos próximos meses.

A elevada carga tributária, com 40,2% das menções, liderou a lista dos principais problemas enfrentados pelos empresários da indústria da construção no terceiro trimestre. Em seguida, com 34,7% das respostas, aparece a demanda interna insuficiente e, em terceiro lugar, com 27,9% das assinalações, os empresários citaram a burocracia excessiva.