Há alguns anos o Brasil assistia de longe os conflitos da migração na Europa. Era fácil opinar. Não estávamos no meio do problema. Agora, o País se vê às voltas com o forte ingresso de venezuelanos, que buscam sobreviver. Muitos vêm famintos, doentes, sem esperança de viver. E alguns lhes viram as costas. O problema não é só de Roraima, mas de todos os brasileiros.

Antes de tudo, é importante lembrar que se tratam de pessoas, seres humanos. E que, se não foram socorridos, vão morrer. Homens, mulheres, crianças, idosos que precisam de ajuda.

Após os conflitos vistos em Pacaraima fim de semana, o Estado tentou novamente fechar sua fronteira. Impedido, ontem ficou decidido que no fim de agosto mil venezuelanos abrigados em Roraima serão interiorizados.

Quem tem a oportunidade de conversar com esses venezuelanos percebe no olhar a esperança de uma nova vida e a tentativa de tentar apagar um passado recente de miséria, fome e violência. Não deve ser fácil deixar para trás suas raízes, sua história, amigos e até familiares, simplesmente porque não tem mais o que comer. As prateleiras estão vazias. Os caminhões com alimentos que chegam aos mercados são esvaziados antes mesmo de uma caixa sequer ir para as gôndolas. E não há perspectiva de solução a curto prazo.

Boa parte desses imigrantes deve vir para a Região Sul. As cidades ainda não foram divulgadas. O Paraná tem reforçado um centro próprio para atendimento ao imigrante, de forma a dar o suporte necessário e sem criar grandes problemas.

Há alguns anos o Brasil abriu os braços para receber os haitianos. Nossa humanidade não pode esmorecer agora, mesmo em meio à crise.