Desemprego e reforma incentivam abertura de empresas no Paraná

Cascavel – No primeiro semestre de 2018 houve um aumento de 6,39% no número de empresas que abriram as portas no Paraná. É o que apontam os dados da Jucepar (Junta Comercial do Paraná). Neste ano, de janeiro a julho, 26.680 novos empreendimentos foram criados, contra 25.077 abertas ano passado.

Se comparado ao número de empresas criadas em 2016 (23.811), o aumento é ainda mais maior: 12%.

De acordo com o presidente da ACP (Associação Comercial do Paraná), Glaucio Geara, apesar do fechamento de empresas registrado nos últimos anos, esse aumento agora significa uma pequena recuperação da economia e pode ser explicada por dois fatores: “O aumento de desempregados no País, que passou de 13 milhões, então com isso percebemos que boa parte dessas pessoas desistiu de procurar emprego e resolveu ter o próprio negócio. Paralelo a esse fator, veio também a reforma trabalhista, que encorajou as pessoas a procurarem soluções empreendedoras por conta instabilidade que as mudanças geraram, isso explica esse aumento na abertura de empresas”.

Ainda de acordo com o presidente a maioria é de micro e pequenos negócios. “Geralmente nesses casos as pessoas partem para negócios que demandam baixo investimento e garantem certa estabilidade de retorno”, afirma Glaucio.

Já o fechamento de empresas no Paraná sofreu uma queda de 7,13% nos primeiros seis meses de 2018 (23.567), em relação ao mesmo período de 2017 (25.379).

Reflexo político e crise

Mas para o economista Vander Piaia, os reflexos podem ter influência política, já que nesse período de eleições a expectativa de um novo governo após quatro anos de instabilidade política e crise traz a esperança de uma reação da economia. “No Brasil a economia está diretamente ligada à política, por isso a cada início de governo é normal um crescimento. Mas ao longo dos quatro anos tivemos momentos bem instáveis na política, com a saída de uma presidente, greve dos caminhoneiros, movimentos sociais organizados que tentam movimentar a sociedade por isso interfere demais tanto em novas iniciativas quanto no encerramento das atividades. Então, quem abriu novos negócios está esperando uma melhora da situação atual. Já a redução do fechamento pode ser explicada pela mesma esperança e a viabilidade da continuação do negócio”.

Se levarmos em conta que 2014 também foi um ano de eleições, em que se desenhava a reeleição de Dilma Rousseff, com base nos dados da Jucepar podemos observar uma queda de 17% na abertura de empresas em relação a 2013 (36.903 em 2013 e 31.496 em 2014). E também um aumento considerável de 60% no fechamento de comércios (12.532 em 2013 e 20.152 em 2014). “O desenho de uma mudança política pode sim ter influenciado já nesse pequeno crescimento, até porque ainda não há um candidato favorito, a eleição não está resolvida e tudo pode mudar até o segundo turno, por isso o brasileiro está mais esperançoso”, afirma Vander.

Região oeste em equilíbrio

Nesse primeiro semestre de 2018 a cidade que mais registrou abertura de empresas foi Curitiba, que teve aumento de 188% em relação ao mesmo período do ano passado. Já na região oeste, na maioria das cidades houve uma diminuição no registro de novas empresas, mas também diminuiu o número de fechamentos em relação a 2017. Em Cascavel, por exemplo, o número de aberturas reduziu em 19,5%, sendo abertas este ano 363 empresas e no ano passado 451. Mas o número de fechamentos também apresentou queda de 27,64%, sendo 233 fechadas em 2018 e 322 em 2017. Se compararmos as aberturas e fechamentos Cascavel ainda registra um saldo positivo de 130 novas empresas.

Toledo também registrou redução no número de aberturas, chegando a quase 69% (647 em 2017 e 205 em 2018). Já os fechamentos também caíram em relação ao ano passado, 65,85% (451 em 2017 e 154 em 2018) levando em conta o número de aberturas e fechamentos o saldo positivo é de 51 novas empresas na cidade.

Foz do Iguaçu também reduziu o número de novos comércios em 13,65%, registrando 348 aberturas em 2018 contra 403 em 2017. Mas também reduziu o número de fechamentos em 29,52% (332 em 2017 e 234 em 2018) com saldo positivo de 114 novos comércios.

Na contramão da maioria, Marechal Cândido Rondon registrou um aumento de quase 58% no número de novas empresas, com 170 comércios abertos em 2018 contra 108 em 2017. Mas também um aumento de 85% no número de fechamentos, com 80 empresas fechadas em 2017 contra 148 em 2018. Um saldo de 22 empresas abertas.

Uma situação que pode ser considerada um equilíbrio, segundo o economista. “Se levarmos em conta que não há ainda uma expectativa de melhora na economia, de modo geral os números são positivos, pois ainda há mais empresas abrindo do que fechando, então pode-se dizer que há um equilíbrio nesse sentido”, explica Vander.

Futuro

De acordo com o economista a economia só deve reagir e voltar a crescer no início de 2019. “No fim deste ano nós já saberemos que vai comandar o país e o Estado, então fica mais fácil traçar um panorama de como será o ano que vem. Mas como já estaremos quase em dezembro, novos negócios devem ser deixados para abrir em janeiro ou fevereiro de 2019 e com isso é bem provável que haja sim uma reação e um crescimento econômico, já que com um novo governo também vem novas expectativas e quem agora está segurando investimentos deve entrar no mercado”, afirma Vander.

Falências

Dados da Jucepar também mostram um aumento no número de empresas que abriram falência este ano. Durante todo o ano de 2017, 61 empresas faliram no Paraná, e em 2018 só de janeiro a agosto o número já chega 66.



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