Cartõe$ do Governo

 

O Governo passou a faca nos cartões corporativos usados por funcionários da administração. A redução é expressiva, de 45,5%: em 2017 eram 6.235 corporativos; foram 6.077 em 2018, 5.306 (2019), 4.485 (2020), e este ano são 2.839. O presidente Jair Bolsonaro dá uma de esperto. Cortou as unidades, mas os gastos seguem altíssimos. Até mês passado, os cofres públicos bancaram mais de R$ 131,46 milhões em custos da turma das compras. Em todo o ano de 2020, foram R$ 170,79 milhões. A Secom da Presidência não respondeu o porquê da redução dos corporativos e quais setores do Governo tiveram cartões cancelados.

 

Repulsa

Além de políticos, em especial do MDB, a peregrinação do ex-presidente Lula por Brasília nesta semana inclui encontros reservados com empresários e ex-ministros.

 

Cartão de visita

Lula avalia lançar uma versão atualizada da Carta Ao Povo Brasileiro, que pavimentou o caminho para a coalizão de sua vitória em 2002. Mas tem uma Lava Jato na Era PT.

 

Não pode

Dona Michelle Bolsonaro tem agenda de candidata, há quem a aponte ao Senado pelo DF, mas a Lei não permite que por ser esposa do presidente da República.

 

Economia x Planalto

Com o Auxílio Brasil emperrado no Congresso Nacional, a equipe econômica do Governo, a contragosto e sob restrições orçamentárias, conclui nesta semana estudos que vão alinhar a prorrogação do pagamento do auxílio emergencial até pelo menos abril de 2022, ano eleitoral.

 

Resistência interna

O chefe da pasta, Paulo Guedes, e o secretário do Tesouro, Jeferson Bittencourt, tentaram resistir à ala política do Governo. Mas recuaram após o presidente Bolsonaro verbalizar a prorrogação. Sobre os estudos, o Ministério da Economia, procurado pela Coluna, é lacônico: “Não vamos comentar”. Internamente, Bittencourt comenta que o “Governo tem ‘fortes restrições’ para renovar auxílio emergencial”.

 

Terras da Faroeste

Agricultores do Oeste da Bahia reclamam da resistência do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos em emitir cadastro ambiental rural para fazendas alvos da Operação Faroeste – que investigou grilagens. Algumas já foram restituídas aos donos, depois de decisões do Conselho Nacional de Justiça. Mas o INEMA não libera o plantio.

 

Cinturão

Os agricultores dizem que o INEMA, um órgão do governo estadual, impõe dificuldades por questões políticas. Sem a “licença”, mais de 60 mil hectares de terra estão ociosas. A região é um dos celeiros agrícolas do País.

 

Paraísos

Relator da proposta que altera o Imposto de Renda, o deputado Celso Sabino (PSDB-PA) cogitou incluir no seu parecer – aprovado pela Câmara em setembro – uma regra para endurecer a taxação de recursos de brasileiros em paraísos fiscais. O trecho, no entanto, foi excluído após pressão da equipe econômica.

 

Ah, Guedes..

Sabe-se, agora, que o ministro Paulo Guedes tem offshore milionária nas Ilhas Virgens Britânicas. Mas o tucano garante que retirou a regra porque países da OCDE não a aplicam. Não é verdade. A França, por exemplo, taxa recursos em paraísos fiscais. O texto da reforma do IR tramita no Senado e o relator, Angelo Coronel (PSD-BA), já avisou que pretende retomar este ponto.

 

Bisturi afiado

Em manifesto assinado por profissionais da Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia, Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares e Coletivo Rebento/Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS, o CFM é chamado de ‘aético’ ao alimentar e defender argumentos para justificar o uso de medicamentos sem comprovação científica e com efeitos colaterais importantes.