Qual sua opinião sobre a arborização da sua cidade? A arborização urbana é o conjunto de todas as árvores que estejam dentro do perímetro urbano de um município, incluindo parques, praças, jardins, quintais, estacionamentos, cemitério, bosques, canteiros e calçadas, e até mesmo nas áreas de preservação permanente.

A disputa entre as árvores, as calçadas e as redes elétricas é, sem dúvida, um dos principais problemas existentes na arborização viária. Calçadas quebradas, galhos em conflito com a rede elétrica, raízes interferindo na rede de água e esgoto são algumas das inúmeras adversidades enfrentadas pelos cidadãos em todo o País.

Mas você já parou para pensar se a culpa é realmente da árvore?

Na segunda metade do século XIX, como forma de revitalização dos centros urbanos nos moldes europeus, a arborização urbana foi tida apenas como ferramenta de embelezamento das cidades. Com a evolução da ciência, vimos que, além da escolha pelo fator estético e arquitetônico de uma espécie, é preciso nos atentarmos também quanto ao comportamento das espécies, como porte, formato de copa, sistema radicular e forma de crescimento das árvores, para que essas não venham prejudicar o espaço urbano, causando sérios problemas para a comunidade.

Será que conseguimos resolver esses problemas, plantando espécies de pequeno e médio porte? As árvores urbanas são capazes de promover inúmeros benefícios ambientais à população, dentre elas: protegem da incidência direta da luz solar e da precipitação; retém a água da chuva, diminuindo as enchentes; absorvem os ruídos e poeira do ambiente; diminuem a temperatura; fornecem abrigo e alimento para os animais; valorizam os imóveis; e melhoram a saúde física e mental da população.

As árvores de grande porte são mais eficientes na promoção dos benefícios ambientais e na convivência com as redes elétricas, já que ultrapassam a altura da fiação elétrica, diferente das espécies de médio e pequeno porte, que necessitam de podas sucessivas por atingirem às redes elétricas com maior facilidade.

Além das espécies, as podas têm grande importância para evitar futuros problemas, principalmente em relação à manutenção das calçadas. Pouca gente sabe, mas as podas drásticas (onde é retirado quase todos, ou todos, os galhos de uma árvore) é a principal causadora de danos às calçadas! A poda drástica causa a mortalidade de um grande número de raízes devido à brusca redução de folhas, elemento primordial para a fotossíntese. Alguns meses após a poda, a árvore volta a emitir novas raízes com a rebrota das folhas. Com o solo já ocupado pelas raízes antigas que morreram, as novas raízes procurarão espaço por onde puderem para sobrevier, aflorando as calçadas.

As podas devem ser realizadas apenas para melhorar a convivência da árvore com o ambiente urbano, com equipamentos adequados e profissionais capacitados, não interferindo no cumprimento dos benefícios que as árvores nos proporcionam. Plantar uma árvore, que não cause problemas em uma cidade, é algo que exige planejamento e conhecimento técnico, pois a cidade continuará seu desenvolvimento, e a arborização – quando bem planejada – permanecerá, contribuindo para a qualidade de vida de toda uma população, por isso, sempre que precisar tomar uma decisão sobre alguma árvore urbana procure o órgão responsável ou consulte o Plano Municipal de Arborização Urbana de sua cidade. As árvores agradecem nosso cuidado, e nós agradecemos o delas também.

Ciro Costa é engenheiro florestal; atua como supervisor e executor do Plano-Diretor Participativo de Arborização Urbana de São Mateus do Sul (PR), coordenador do Plano Municipal de Arborização Urbana de Dois Vizinhos e sócio-fundador da Neofloresta Serviços Ecossistêmicos; 2º secretário da Aefos