No decorrer da história, são observadas diferentes percepções sobre as árvores e suas funções na vida das pessoas, ecológica, psicológica e social. Passamos de um extrativismo desordenado, nos últimos séculos, até uma grande carência por áreas verdes, tanto no meio rural e, principalmente, no meio urbano, na grande maioria das cidades, nos dias atuais.

Principalmente a partir da década de 80, o êxodo rural verificado trouxe consigo vários problemas às cidades, com o seu crescimento não planejado, entre estes a destruição de ecossistemas (florestas, campos, banhados, riachos, etc), a alta concentração de poluentes no ar, a formação de ilhas de calor, a poluição visual, sonora, entre outros aspectos. Frente a isso, as árvores têm uma importante função a cumprir.

Frente a essas questões, a arborização ou rearborização das cidades, nas suas ruas, avenidas, praças, parques e florestas periurbanas, é um elemento essencial a ser considerado na reestruturação dos planos diretores municipais. As árvores no meio urbano, cumprindo os papéis acima, apresentam valor altíssimo para a população.

Porém, temos que dar condições para que as árvores consigam cumprir seu papel. Isso passa pela ação do Poder Público e da Sociedade. O primeiro deve dar início ao processo, alavancando projetos que levem a cabo a arborização tecnicamente adequada dos espaços públicos e informar a segunda a respeito do seu papel no zelo pelas árvores e plantas diversas que forem instaladas. Também junto a isto, o primeiro deve prover à segunda de um serviço de qualidade na manutenção e constante educação quanto à necessidade da arborização da cidade. Sem sombra de dúvida que junto a estes dois atores principais devemos considerar a ação de entidades como universidades, ONGs, meios de comunicação, associações etc, cumprindo seu papel auxiliando nos diversos processos técnicos, de divulgação, educação e fiscalização.

Em grande parte das cidades, historicamente, o planejamento do crescimento, que deveria levar consigo o plano de arborização, tem sido relegado a segundo plano por anos a fio, fazendo com que a falta de árvores ou a má condição das existentes traga consigo problemas, antes imaginados somente para as grandes metrópoles. Apesar de alguns bairros apresentarem considerável número de árvores, devemos considerar que um local bastante arborizado não significa exatamente um local bem arborizado. As ações tomadas nesse sentido, na maioria dos casos, abrangem apenas parte da cidade, ficando a descoberto o restante.

É importante que cada cidade do país leve em conta a necessidade da existência de cobertura vegetal associada à malha urbana, de forma que se intervenha no ambiente citadino propiciando melhores condições de vida aos seus habitantes, das mais variadas formas, seja na existência de áreas de lazer arborizadas ou proporcionando o conforto ambiental necessários à boa vivência humana, da flora e da fauna, no controle da poluição e dos extremos climáticos. Além disso, o simples fato de uma pessoa, ao sair a rua, observe uma árvore florida, ouça os pássaros cantando, respire ar puro e sinta prazer em estar naquele lugar, amenizando o estresse da vida urbana agitada, já é gratificante para qualquer ação tomada nesse sentido.

Cabe aos engenheiros florestais a elaboração, implantação e assistência técnica em arborização urbana, em todas as suas fases, de forma a tornar as cidades sustentáveis e preparadas para um futuro dentro de um contexto de mudanças climáticas e de superpopulações urbanas, onde um ambiente equilibrado pode fazer a diferença para o bem-estar da população.

Flávia Gizele König Brun ([email protected]); Eleandro José Brun ([email protected]); engenheiros florestais, integrantes da Diretoria e Conselho da Aefos/PR, professores da UTFPR Dois Vizinhos