Cascavel – A competitividade entre os postos de combustíveis para oferecer o menor preço por litro faz com que os cascavelenses fiquem atentos. Somente em 2021, o preço da gasolina acumula alta de 74%, com 18 reajustes até o momento. No final do mês de outubro, o preço médio do litro da gasolina passou de R$ 2,98 para R$ 3,19 nas refinarias, um reajuste médio de R$ 0,21 por litro.

Entretanto, a Petrobras tenta explicar que os preços praticados ao consumidor final nos postos de revenda, no entanto, não dependem exclusivamente da estatal. Até que se chegue na “bomba”, a composição do preço final engloba valor de repasse às refinarias, CIDE e PIS/PASEP e COFINS, ICMS, Custo Etanol Anidro e Distribuição e Revenda.

A reportagem do O Paraná conversou com Roberto Pellizzetti, empresário do setor de combustíveis e diretor da Paranapetro/Cascavel, entidade que representa a revenda de combustíveis no Paraná. Antes do último aumento anunciado pela Petrobras no mês passado, ele já havia alertado que o preço do litro da gasolina praticado em Cascavel era “irreal”, abaixo da realidade de mercado dentro de uma “disputa” entre os postos por clientes.

Pellizzetti falou que, ao contrário do que muitos pensam, os postos de combustíveis são estabelecimentos que trabalham com margens de lucro inferiores a outros setores. “O posto de combustível fatura entre R$ 0,20 e R$ 0,60. Trabalham com lucro de 10% quando a margem é boa”, explica. O empresário destacou que outras empresas, como por exemplo, no setor de vestuário, trabalham com margens que chegam a 100% ou até mais.

 

Diesel e etanol

Em relação ao óleo diesel, Pellizzetti fez um alerta à população, pois existe a possibilidade de que, em breve, o Brasil não produza o suficiente para atender a demanda. “Quem tem veículo a diesel é recomendável manter o tanque cheio, porque existe a possibilidade de faltar. As refinarias não conseguem produzir o necessário e há a necessidade de importar em torno de 15% a 20%”, pontuou.

Sobre o etanol, o diretor da Paranapetro destacou que realmente houve redução de R$ 0,10 centavos no por litro, o que deverá ser percebido pelos consumidores nos próximos dias.

 

Audiência Pública

Nesta semana, durante audiência pública da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, como publicado pelo O Paraná, senadores questionaram a política de preços da Petrobras. Desde o início do ano, registrou o senador Otto Alencar, o preço da gasolina subiu 74%, e o do óleo diesel 64,7%.

O general Joaquim Silva e Luna, presidente da estatal, atribuiu os sucessivos aumentos da gasolina, do diesel e do gás de cozinha nos últimos meses a uma série de fatores. “O preço do petróleo no mercado internacional, o chamado PPI (preço de paridade de importação), não é a única variável que afeta os valores praticados pela empresa”.

 

Fundo de estabilização

Boa parte da audiência foi dedicada à proposta de criação de um “fundo de estabilização” para evitar oscilações abruptas nos preços dos combustíveis. Tramita na Casa projeto de lei nesse sentido (PL 1.472/2021), do senador Rogério Carvalho (PT-SE), relatado pelo colega de partido Jean Paul Prates.

Vários senadores se manifestaram favoráveis ao projeto. Porém, não houve consenso em relação à fonte de recursos para o novo fundo. O texto original propõe um imposto sobre a exportação de óleo bruto.

 

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Gasolina puxa alta da prévia da inflação medida pelo IPCA-15

 

Rio de Janeiro – A prévia da inflação, medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), apresentou alta de 1,17% em novembro. O resultado representa a maior variação para o mês desde 2002, quando o índice ficou em 2,08%. No mês passado, o IPCA-15 ficou em 1,20% e em novembro de 2020, 0,81%. O acumulado do ano está em 9,57% e em 12 meses a prévia da inflação está em 10,73%, acima dos 10,34% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Os dados foram divulgados ontem (25) pelo IBGE.

Todos os grupos de serviços e produtos pesquisados tiveram alta na prévia de novembro. O maior impacto individual no indicador foi da gasolina, que ficou 6,62% mais cara no mês, influenciando o resultado dos transportes, com variação de 2,89%, a maior entre os grupos pesquisados.

O transporte por aplicativo teve alta de 16,23% na prévia de novembro, após ter subido 11,60% em outubro. Já as passagens aéreas ficaram 6,34% mais baratas, depois de subir 28,76% na prévia de setembro e 34,35% em outubro. No grupo habitação, que subiu 1,06%, a maior contribuição foi do gás de botijão, que teve a 18ª alta consecutiva, ficando 4,34% mais caro em novembro. O produto acumula alta de 51,05% desde junho de 2020.