
? É um livro sobre como vivemos hoje ? assegura Muarrek. ? Quis seguir a tradição dos romances mais realistas.
Com medidas iguais de humor e ironia, Muarrek conta a história de Otto Funk, ex-combatente do Reich exilado no Brasil, por meio da filha dele, Diana. Grávida, a mulher deixa a cidade de São Bernardo do Campo (SP) para voltar à casa da mãe, Iracema, no Rio. O retorno reacende uma porção de memórias da família.
Otto deixou a Alemanha e chegou ao Rio em 1947, logo depois da derrocada de Hitler, disposto a deixar os anos de guerra para trás. Diana sai do ABC paulista após ver o marido, que ganhou de Muarrek o nome de Delúbio, se envolver em um esquema de corrupção no governo local. A necessidade de escapar une as narrativas:
? O livro trata de fugas de uma maneira geral ? conta o autor. ? Otto foge de uma realidade que o oprimia. A Diana tem o DNA da fuga impregnado nela. Por opressões distintas, ela também adota esse recurso, buscando uma coisa que é melhor para ela.
CRÍTICA A GOVERNOS
Apesar do nome dado ao marido de Diana, xará do ex-tesoureiro petista preso pela Operação Lava-Jato, Muarrek nega que ?Um nazista em Copacabana? funcione como uma crítica direcionada a um partido específico. Ele explica:
? É claro que você não faz um romance e usa um nome desses impunemente. Ele remete a uma certa realidade ? afirma. ? É uma crítica a todos os governos que tivemos até hoje. Seria má literatura fazer um ataque frontal a qualquer partido político em um livro.
Misturar passado e presente de maneira tão radical pode ser arriscado, mas ele diz não se preocupar:
? Sem correr riscos, você não faz literatura. O abismo é o elemento fundamental da experiência literária.