MELBOURNE Um casal de lésbicas na Austrália gravou um áudio, no celular, que mostra o momento em que um motorista do Uber as chama do que pode ser traduzido como “bichas” ou “viados” (“faggots”, em inglês) e ameaça arrastá-las à força para fora do carro. Isso aconteceu no subúrbio de Collingwood, em Melbourne, quando Lucy Thomas e sua companheira pediram o serviço pelo aplicativo gays do Uber, para voltar de um jantar com amigos. Por causa do ocorrido, o motorista foi demitido da empresa.
Lucy contou que a conversa, assim que elas entraram no carro, começou de modo bem infensivo, até que o assunto mudou para o futebol. A partir daí, o motorista começou a se referir aos jogadores como “bichas” e “retardados”. Lucy, então, contestou o homem e disse que ele não deveria usar esses termos para se referir a alguém. Ela dirige um movimento anti-bullying voltada para os jovens, chamado Project Rockit, e disse que aprendeu como a linguagem cotidiana pode influenciar a vida das pessoas.
Uma das nossas principais mensagens é sobre desafiar essa linguagem diária, que é tão problemática contou ela ao “Buzzfeed”. Então, quando eu me encontro em uma situação, não há sequer possibilidade de eu não me levantar e dizer alguma coisa.
Ela lembrou que, quando mostrou que não concordava com o motorista, ele se tornou agressivo e soltou mais insultos. Ele também comentou: “Você deve ser bicha também, senão não se importaria”.
Foi apenas nesse momento, segundo Lucy, que ele percebeu que as duas formavam um casal.
Ele não tinha percebido porque talvez nós não temos a aparência [estereotipada] que se espera de duas mulheres em um relacionamento avaliou ela.
A esta altura, o carro já havia chegado em frente à casa das duas. Lucy disse ao motorista que tinha gravado parte da conversa. Ele pediu para que elas saíssem logo do carro, e que, se não o fizessem, seriam arrastadas para fora. Elas saíram e viram que o motorista esperou que elas entrassem em casa e, só então, deu partida lentamente no veículo.
O casal denunciou o ocorrido ao Uber na mesma noite, e a empresa informou que demitiu o motorista “imediantamente”. As moças elogiaram a atitude, mas ficaram decepcionadas com o fato de não poderem saber a identidade do homem.
A política [do Uber] é realmente confusa e problemática. O foco é na privacidade, tanto do motorista quanto da nossa, mas não há um equilíbrio nisso, porque o motorista já tem o meu endereço reclamou ela.
“O Uber não tolera qualquer forma de discriminação, e temos mantido contato com as passageiras para oferecer o nosso apoio. Assim que tomamos conhecimento deste incidente, removemos o motorista da plataforma”, disse um porta-voz da empresa ao “Buzzfeed”.