
Paraná - Unanimidade nacional, o preço do feijão nas gôndolas dos supermercados tem feito o brasileiro torcer o nariz. Seria reflexo dessa alta geral dos alimentos? Para entender melhor sobre os motivos dessa escalada do preço do feijão, a equipe de reportagem do Jornal O Paraná entrevistou o presidente do Ibrafe (Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses), Marcelo Lüders.
No entendimento do dirigente do Ibrafe, a alta do preço do feijão carioca é um reflexo natural, pois ele já vinha sendo comercializado a um preço muito baixo. Sobre o feijão preto, Lüders explica que no ano passado, os produtores plantaram em demasia em virtude do momento da exportação. “Alertamos na época do produtor para plantar somente no caso da existência de um contrato de comercialização e não por conta do efeito manada”.
Se confirmar a precisão da Conab (Companha Nacional de Abastecimento), o volume de produção do feijão preto vai manter o mercado muito baixo, talvez até com risco para o produtor, informa Marcelo Lüders. “Não haverá aquela valorização tão esperada. A Argentina vai atender os mercados tradicionais que ela mantém vínculo comercial”.
Exportações
No ano passado, o Brasil exportou 90 mil toneladas, realidade bem diferente desse ano. “Em 2024, a Argentina teve uma quebra de safra e nós aproveitamos”. Entretanto, o Brasil começa a aparecer e a entender o mercado internacional. “Por exemplo: o nosso feijão preto não foi bem em todos os mercados, com destaque para o México. Lá, eles preparam o feijão de outra maneira, não em panela de pressão, como estamos acostumados. Os mexicanos usam panela aberta. Lotes de feijão que foram embarcados do Brasil, que tudo é preto, porém, contendo outras variedades da mesma cor, sem uma uniformidade na variedade, quando cozinha com panela aberta, como é o caso do México, um grão fica marrom, outro fica preto, um desmancha e outro fica duro”, relata. Em outros mercados, a aceitação foi bem melhor, como Venezuela.
A partir de maio, alguns mercados da América Central decidem se retiram imposto de importação ou se protegem o seu mercado interno. Nesse mesmo tempo, há exportação, mas em volume pequeno.
O feijão carioca tem pouco menos de 60 dias pela frente com uma possibilidade de alguma melhora em relação aos preços praticados em fevereiro e março, mas depois a tendência é colher a segunda safra, ver como ela vai se comportar em Minas Gerais, que enfrenta estiagem. “No horizonte para o feijão irrigado, surgem algumas percepções de que a opção é aumentar a área de milho, mais atraente nesse momento”.
Índia
Nos próximos dias, Marcelo Lüders embarca novamente para a Índia com a finalidade de abrir mercado para exportação de feijão carioca. “Isso porque fazer com que o produtor produza com mais tranquilidade, não dependendo apenas do mercado nacional”.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que, até o dia 16 de março, 61,8% da área da primeira safra de feijão já havia sido colhida no Brasil. Outro fator que tem impactado o mercado brasileiro é a safra da Argentina. Até agora, o país já plantou 80% da área pretendida, e as chuvas começam a se regularizar.