
Cascavel - “Eu moro lá há 14 anos e nesses 14 anos que eu moro lá teve umas três enxurradas. Mas nesses 14 anos não aconteceram o que acontece de outubro pra cá, que já foram quatro enxurradas de alagar a minha casa”. Esse foi o relator do morador do bairro Parque São Paulo, Maurício Paravisi, que falou sobre a situação que os moradores das adjacências da Avenida Carlos Gomes enfrentam nos dias de chuva.
O relato foi feito durante a reunião promovida pela Comissão de Obras da Câmara de Cascavel com representantes da Prefeitura Municipal, da empresa executora (Petrocon) e entidades como o IPC (Instituto de Planejamento de Cascavel), Transitar, CREA, ACIC e Observatório Social.
A reunião tinha como objetivo principal buscar esclarecer os motivos dos problemas enfrentados pela população decorrentes da revitalização da avenida. Nos últimos meses, moradores e empresários da Carlos Gomes enfrentam diversos problemas, o principal, alagamentos.
O vereador Edson Souza (MDB) pressionou por respostas sobre possíveis falhas estruturais no projeto, incluindo alagamentos, falta de acessibilidade e falhas na sinalização. “Queremos saber se existiram erros na elaboração do projeto e na compatibilização com a licitação. Caso irregularidades sejam identificadas, os responsáveis precisam ser apontados“, disse.
Prefeitura se defende
O presidente do IPC, Tales Riedi Guilherme, negou falhas no projeto estrutural. Ele informou que o projeto foi elaborado por uma empresa de Londrina e afirmou que 77,6% da obra já foi concluída. Segundo ele, depois de concluído, o projeto sofreu diversas correções e adequações que não representaram gastos extras aos cofres municipais.
O secretário de Obras, Sandro Camilo Rocha, seguiu a mesma linha, alegando que os problemas são resultado da infraestrutura das ruas adjacentes e que será necessário um investimento adicional de cerca de R$ 5 milhões para reforço na drenagem e obras complementares. “Não houve erro no projeto. O projeto foi concebido somente na Avenida Carlos Gomes. Porém, o que nós estamos entendendo na parte de engenharia é que os problemas não são na Carlos Gomes, são adjacentes a Carlos Gomes. E é por isso que tanto a engenharia do Município quanto a própria empresa, nós estamos levantando esses pontos, já estamos traçando essa solução, já temos o número em vista para resolver esse problema”, disse Sandro.
Sandro ainda informou que os a drenagem urbana no ponto em questão é o problema. “As nossas tubulações, a nossa drenagem urbana, ela não suporta uma quantidade de chuva nesse ponto (40 mm ou 50 mm em um curto período). Porém, para resolver esse problema, é necessário aumentar o diâmetro da tubulação, não na Carlos Gomes, mas nas ruas adjacentes a Carlos Gomes, para a gente, então, eliminar esses pontos aí de aguaceiro na via.”
Logo no início de sua explanação na reunião, o secretário de Obras, disse que “os erros que hoje temos na Carlos Gomes, foi não ter considerado também as ruas adjacentes à avenida neste grande complexo que é a drenagem urbana de Cascavel. Hoje nós estamos com vários problemas, principalmente, porque nós reutilizamos a drenagem antiga, existente; colocamos tubos novos, aumentamos a capacidade de captação de água (da chuva) da Carlos Gomes”.
Empreiteira
O engenheiro da Petrocon, Cézar Biancato, destacou que a empresa apenas executou o projeto em questão, sem responsabilidade por revisões ou adequações. Segundo ele, durante a execução foram identificadas inconsistências, como alterações na altura da via e estreitamento de faixas, mas que “nenhum erro impossibilitou a execução da obra“.
Biancato também citou que a nova configuração da avenida reduziu áreas de permeabilidade, o que pode ter agravado os alagamentos. “Antes a gente tinha uma área de permeabilidade muito grande, que era aquele canteiro central. Outra coisa que mudou: as ruas do bairro ali da parte superior, da Alexandre Gusmão, do Maria Luíza, elas não atravessavam com facilidade para a pista que vai sentido centro-bairro. Então hoje mudou tudo isso, a gente abriu todos os canteiros, impermeabilizou toda aquela área do canteiro e aumentou o escoamento superficial, a água não infiltra mais no solo. Então tudo isso tem que ir para a drenagem”, explicou.
Três meses
Após a reunião, o vereador Edson Souza cobrou uma posição mais assertiva da Prefeitura. “Nós trouxemos aqui a Prefeitura, trouxemos a empresa e todos disseram que nada é problema deles; que os projetos estavam certo, que a fiscalização está certa, que a execução está certa. ‘Tá tudo certo, então não tá nem ocorrendo problema direito lá. Nós precisamos que o secretário assuma esse problema, mate no peito e diga: olha, eu sou o secretário, eu sou o responsável por isso, estou acompanhando desde o início e se tá com problema, nós precisamos resolver esse problema”, asseverou.
O parlamentar informou ainda que a Comissão solicitou que o Município resolva o problema dos alagamentos dentro de um prazo de três meses. “Então foi dado um prazo de três meses para que tenha solução sobre a questão das inundações”, disse Souza.
Mais prazo
No entanto, segundo o próprio secretário, o prazo deverá ser maior, já que o objetivo é terminar todas as obras da readequação da Avenida Carlos Gomes antes. “Nós já conversado com a empresa, vai precisar sim, se for um adendo ao contrato, vai precisar de mais prazo para a execução, porém, nós queremos terminar a Carlos Gomes para daí iniciar esse novo trabalho, que é o adendo de serviços também. Então nós temos aí o prazo que foi colocado aqui dentro dessa discussão, de dois a três meses, mas nós entendemos por efeitos administrativos que vai ter um pouco mais”, explicou.
Enquanto o município não resolve a situação, os moradores e comerciantes só podem torcer para que “São Pedro colabore” e segure as chuvas torrenciais (ou bombas d’água), já que, por ora, a solução parece ser contar com o clima.
Segundo Sando Rancy, hoje, o custo da obra está em R$ 52.227.130,71.
“95% de assertividade”
Durante a discussão e as várias cobranças feitas pelos vereadores, moradores e representantes dos bairros Parque São Paulo e Maria Luíza, o secretário Sandro Rancy, disse que os da Nova Carlos Gomes alcançaram “95% de assertividade”. “Os engenheiros que trabalharam no projeto e na correção, conseguiram prever 95% do quantitativo que será usado neste projeto”, destacou.
O engenheiro de tráfego da Transitar, Juliano Denardin, disse que a mobilidade do trânsito na Carlos Gomes já apresenta um “aumento de 50%” e que em todo complexo agora são 29 cruzamentos com semáforos – antes eram 18.