Sem perder tempo, o novo presidente da Câmara de Cascavel, Alécio Espínola (PSC), já limpou o gabinete, literalmente. Os móveis mudaram de lugar e a mesa da Presidência ficou “de costas” ao Paço Municipal – recado ao prefeito e amigo Leonaldo Paranhos (PSC) de que o Legislativo será regido de maneira independente. Se o chefe do Executivo espera submissão e economias grandiosas no orçamento do prédio ao lado, Alécio alertou antecipadamente que defenderá o interesse popular e que neste ano terá que resolver o problema das goteiras da Câmara.

Alécio já aproveitou para nomear seu grupo. Na Procuradoria Jurídica assume o advogado Rafael Salvati, especialista em Comércio Exterior e Marketing. A direção-geral fica com o sargento Leonir Argente, ex-vereador, tecnólogo em gestão pública. A Comunicação está sob o comando de Djalma Santos, jornalista e radialista. A chefia de Gabinete fica com o advogado Anderson Carvalho.

 

 

HojeNews – Agora presidente, como fica sua relação com Paranhos?

Alécio Espínola – São poderes distintos. Inegável a amizade de muitos anos, fui funcionário dele e nossos filhos estudaram juntos. Porém, tanto eu quanto ele estamos na vida pública para servir. E um poder não pode atrapalhar o outro. Estou na condição de presidente e vou manter as prerrogativas regimentais dos vereadores. Quem tem que se preocupar com o andamento das questões do Executivo é o líder de Governo. Enquanto presidente, darei condições de atuação da oposição e da situação. Durante dois anos, Gugu [Bueno] deu toda condição e foi um aliado do Executivo. Vamos dar condições para o Executivo desempenhar suas ações desde que tenham interesse público.

 

HojeNews – Haverá reforma no prédio?

Alécio – Vamos resolver o problema do pátio, com mais vagas aos veículos. Resolver o problema estrutural, pois chove muito dentro da Câmara. O espelho de água será removido e transformado em jardim. Sobre a construção do novo anexo, ainda vamos avaliar: talvez não seja o momento de investir R$ 3 milhões. Mas a decisão será tomada pela Mesa Diretora, ouvirei a opinião de todos.

 

HojeNews – Como avalia a nova Mesa Diretora?

Alécio – São vereadores bem intencionados e que querem o crescimento da cidade. Cada um está num partido diferente, mas todos convergem em um Legislativo participativo. Será uma união, pois venho para servir e não para ser servido. Não pedi para estar onde estou, mas agora, nesta condição, preciso dar uma resposta à sociedade. E a única coisa que tenho é meu nome e quero deixar meu nome para a história como um presidente que acelerou a participação do Legislativo com seriedade e responsabilidade. Já cobrei da Mesa Diretora – já tivemos reunião – pautas positivas. Vamos adotar bandeiras, por exemplo, o Trevo Cataratas: estão trabalhando para fazer algo? Há projetos?

 

HojeNews – Qual o perfil da presidência?

Alécio – Vou manter meu ritmo bastante acelerado. Mas meu sonho é ter uma Câmara mais participativa e levá-la aos bairros. Tem quem me pergunte: “Posso ir à Câmara? Posso assistir à sessão?”. Então, vou usar duas ferramentas importantes: a Escola do Legislativo e a Câmara Jovem. A Escola do Legislativo pode ir mais adiante, atuar nos colégios. Faremos sessões itinerantes e haverá um trabalho previamente para esclarecer aos estudantes o que é o Legislativo e é importante a participação de todos.

 

HojeNews – Como ficam as comissões?

Alécio – A primeira sessão será em 4 de fevereiro e haverá a primeira votação das comissões. Temos esse período para montar essas comissões, com conversas entre os vereadores e quem tem interesse.

 

HojeNews – Haverá mudanças na rotina da Câmara?

Alécio – Vou conversar com os vereadores, pois tenho muita vontade de termos ao menos uma sessão ordinária à noite no mês. Dessa maneira, conseguimos maior participação dos jovens. Pretendo organizar ônibus para trazer os alunos, que precisam sonhar e se envolver na política. Vamos desenvolver um trabalho de resgate histórico da Câmara. Também vamos atrás da implantação da TV Câmara, com canal reconhecido pelo Ministério das Comunicações. Em dois anos vamos articular esse processo de implantação.