Denúncia de que os dados apresentados pelas empresas que prestam o serviço de transporte urbano estariam maquiados suscitou a proposta de auditoria contratada pela Câmara de Vereadores sobre as tabelas usadas para justificar o reajuste do serviço, de 14,04%.

Ontem, a Mesa Diretora apresentou parecer favorável para que seja contratada uma empresa que consiga verificar item a item as justificativas da Pioneira e da Viação Capital Oeste que embasam o pedido.

É que um dos componentes que mais encarecem a tarifa do transporte coletivo é a folha de pagamento e, segundo o Sindicato dos Motoristas, nessa despesa ainda estão incluídos os cobradores, cuja função foi extinta ainda em março de 2015, quando houve a implantação integral da bilhetagem eletrônica. “Essa informação chegou por meio do Sindicato dos Trabalhadores, de que os cobradores continuam impactando na tabela. Se isso realmente estiver ocorrendo, é ilegal. Representa um lucro abusivo, pois estão enganando o usuário e o Executivo municipal, pois se trata de uma concessão pública. Mesmo que tenham remanejado pessoal internamente, isso não justifica”, diz o vereador Paulo Porto (PCdoB).

Diante disso, Porto formalizou o pedido de uma auditoria independente sobre as planilhas apresentadas pelas empresas do transporte público urbano.

O vereador explica que não é possível debater reajuste de tarifas com base nos números apresentados apenas pelas empresas. “São dados técnicos e precisamos que sejam analisados de uma maneira apropriada. Da forma que está, confiamos no que nos é apresentado sem termos como confrontar os dados. Precisamos de condições técnicas para afirmar se o aumento é justo ou não”, ressalta Porto.

Apoio

Já manifestaram apoio à auditoria os vereadores Sebastião Madril (PMB), Pedro Sampaio (PSDB), Fernando Hallberg (PPL) e Celso Dal Molin (PR).

Atualmente, nem mesmo a Cettrans (Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito) confronta os dados apresentados pelas empresas.

“Não tenho pressa”, diz Paranhos

Passados dez dias do recebimento oficial das planilhas, o prefeito Leonaldo Paranhos (PSC) assegurou ontem que pretende analisar com calma todas as possibilidades antes de tomar alguma decisão sobre o rejuste da tarifa do transporte público.

Pelo pedido das empresas, o valor passaria de R$ 3,65 para R$ 4,15, tornando a tarifa mais cara do Estado.

Paranhos lembrou ainda que várias cidades do Paraná têm cobrado do governador Ratinho Junior a manutenção do subsídio sobre o óleo diesel, que deixou de vigorar no fim do ano.

O governador prometeu estudar o assunto, sem estabelecer qualquer prazo. E, sem uma resposta oficial do governo estadual, a prefeitura tem mais 20 dias para apresentar uma contraproposta ou referendar os 14,04% pretendidos.

Paranhos pretende esgotar o diálogo, mas, pelo que se encaminha, a probabilidade de o caso ir para a Justiça é grande: “Pedi um estudo criterioso, pois acho que é um aumento muito grande. Esse estudo deve chegar esta semana e vou convidar as empresas para debater”, disse o prefeito, que se disse calmo: “Não estou com pressa para aumentar a tarifa, mas sabemos que o aumento é necessário”.