Pecuária: Estado intensificará ações para evitar venda ilegal

Sindicarne e governo discutem denúncias de transporte irregular de bovinos para outros estados

Curitiba – O secretário de Estado da Agricultura, Norberto Ortigara, reuniu-se ontem (23) com representantes do Sindicarne (Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná) para discutir as denúncias de transporte irregular de bovinos para outros estados, provocando escassez de bois no mercado paranaense. Pelo que aponta a categoria, mais de 50 mil cabeças são levadas para outras unidades federativas por ano de maneira ilegal: na nota os bois constam como bezerros para engorda e não animais terminados para abate para pagar menos impostos.

O governador Ratinho Júnior também acompanhou o encontro.

Ortigara diz que o assunto já foi debatido com o Sindicarne em agosto do ano passado e objeto de um pedido de investigação feito pela Secretaria da Agricultura à Secretaria da Fazenda, que examinou a emissão de notas fiscais e a saída de animais. “A Adapar [Agência de Defesa Agropecuária do Paraná] acompanha sistematicamente a movimentação de ingresso e saída de animais. No ano passado, saíram pouco mais de 85 mil cabeças do Paraná para diversas finalidades, cria, recria, engorda, abate… e, em um primeiro momento, o Estado não confirmou a possibilidade de estar perdendo dinheiro”, afirma o secretário.

Agora ele garantiu que o caso será analisado de maneira aprofundada e medidas serão aplicadas pelo Estado. “É bem provável que venhamos a fixar novamente pautas para a saída interestadual de animais para inibir iniciativas dessa natureza – superfaturamento, sonegação de tributos… Nós não estamos confirmando, apenas colocamos na mesa a possibilidade dessas ocorrências”, ressalta.

O governo estadual promete implantar uma medida para fomentar a indústria agropecuária e gerar empregos no Paraná. “Nos próximos dias, o governo estadual, a depender da Fazenda Estadual, nos limites legais que tem, terá uma posição clara quanto a isso, se vai restabelecer ou não a pauta de exportação”.

A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, pelo Deral (Departamento de Economia Rural), fará alimentação diária ou semanal de informações de preços de mercado, “para que essa pauta seja bem ajustada e possamos inibir eventuais atos ilícitos que estejam ocorrendo”, diz Ortigara.

Agro responde por 77% das exportações

O agronegócio foi responsável por cerca de 77,6% das exportações do Paraná em 2019. Dos US$ 16,2 bilhões exportados, US$ 12,6 bilhões são dos produtos do agronegócio. Esses números mantiveram o Estado na terceira posição no ranking nacional das exportações do setor em 2019, correspondendo a 13,02% do volume brasileiro, que foi de US$ 96,8 bilhões, atrás apenas do Mato Grosso (17,22%) e São Paulo (15,63%).

Os dados são do Ministério da Agricultura e do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Seguindo a tendência nacional, as principais commodities exportadas pelo Paraná foram a soja e as carnes, com destinos como China (soja e frango), Arábia Saudita e Emirados Árabes (frango). Também destacam-se o milho e os produtos florestais. Somados, esses produtos geraram receita de US$ 11,5 bilhões (-12% em comparação a 2018).

Ao registrar exportações totais de US$ 16,2 bilhões, o Paraná recuou mais do que o Brasil (19%) no último ano. As exportações do agronegócio paranaense também caíram 12% de 2018 para 2019.

“O agronegócio teve um reposicionamento nas exportações totais do Estado. Esse índice de 77,6% corresponde à segunda maior participação em 11 anos, só perdendo para 2015 (78%)”, explica o secretário estadual da Agricultura, Norberto Ortigara.

Com relação às importações, o agronegócio do Estado também ocupa a 3ª posição no ranking nacional. Em 2019, o Paraná importou US$ 12,7 bilhões, sendo US$ 1,4 bilhão do agronegócio. Assim, a participação do agro na importação subiu de 9,61% em 2018 para 10,09% no ano passado.

 

 



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