A governadora do Estado, Cida Borghetti, encaminhou ofício ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento este mês pedindo a suspensão da vacinação contra a aftosa em maio de 2019, conforme havia sido adiantado pelo Jornal O Paraná no início deste mês. Dessa forma, o novo status sanitário do Paraná seria reconhecido na OIE (Organização Mundial de Saúde Animal), em Paris, em maio de 2021.

No documento, a governadora ratificou o compromisso de implementar as ações e as metas previstas no PNEFA (Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa) do Mapa. Esse plano dividiu o Brasil em cinco blocos regionais para a retirada gradual da vacina, sendo que o Paraná integra o Bloco V, com Rio Grande do Sul, Santa Catarina (que já é área livre de febre aftosa sem vacinação), Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Esse bloco, de acordo com o cronograma estabelecido pelo PNEFA, só se tornaria livre da vacinação em 2023. Porém, o Paraná reúne condições de obter o reconhecimento antes. “Encaminhamos ao ministro da Agricultura o ofício, que é uma tratativa para que a suspensão da vacinação no Estado possa ocorrer a partir de maio de 2019 e manifesta o compromisso de implantar as metas previstas no PFEFA. É preciso avançar nesta discussão tão importante. O setor é de extrema importância para que possamos construir de forma madura, transparente e que atenda as demandas do setor para obtermos o reconhecimento da OIE”, destacou a governadora.

Auditoria

Auditoria realizada pelo Mapa, em janeiro, confirmou que o estado reúne condições, considerando os programas, estrutura, capacidades técnica, financeira e administrativa do serviço de vigilância da sanidade agropecuária, para suspender a vacinação a partir de março de 2019 e obter o reconhecimento de Zona Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação pelo Mapa em 2020 e na OIE em 2021.

“Fazer parte do Bloco V para retirar a vacina não é estratégico para os produtores paranaenses, pois o Estado já tem todas as condições técnicas para isso. O pleito da Faep e outras tantas entidades do setor é que o Paraná siga, de forma independente, o mesmo cronograma do Bloco I, que seria reconhecido como área livre da doença sem vacinação em 2021”, destaca o presidente do Sistema Faep/Senar-PR, Ágide Meneguette.

O reconhecimento como Zona Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação colocará o Paraná em outro patamar global como fornecedor de proteínas animais. A partir da conquista deste novo status sanitário, o Estado poderá buscar novos mercados que pagam mais pela qualidade da carne.

Reflexos

Apesar da espécie vacinada contra a febre aftosa ser a bovina, os impactos se refletirão em todas as cadeias de proteínas animal e vegetal, principalmente na avicultura e na suinocultura, atividades nas quais o Paraná é tido como referência nacional e mundial na produção, tanto na qualidade como na quantidade.