Nova Delhi – A variante do coronavírus que impulsiona a segunda onda de covid-19 devastadora na Índia é a mais infecciosa a surgir até agora. Os médicos agora querem saber se também é mais grave.

Deficiência auditiva, distúrbios gástricos graves e coágulos sanguíneos que levam à gangrena, sintomas não vistos normalmente em pacientes com covid, foram associados por médicos na Índia à chamada variante delta. Na Inglaterra e na Escócia, as primeiras evidências sugerem que a cepa – que agora também é dominante lá – carrega um risco maior de hospitalização.

Delta, também conhecido como B.1.617.2, se espalhou para mais de 60 países nos últimos seis meses e gerou restrições de viagens da Austrália para os EUA. Um aumento nas infecções, alimentado pela variante delta, forçou o Reino Unido a reconsiderar seus planos para reabrir no fim deste mês, com um relatório local dizendo que pode ser adiado em duas semanas. Taxas mais altas de transmissão e uma redução na eficácia das vacinas tornaram a compreensão dos efeitos da cepa especialmente crítica.

“Precisamos de mais pesquisas científicas para analisar se essas novas apresentações clínicas estão ligadas à B.1.617 ou não”, disse Abdul Ghafur, médico infectologista do Apollo Hospital em Chennai, a maior cidade do sul da Índia. Ghafur disse que está vendo mais pacientes da covid com diarreia agora do que na onda inicial da pandemia.

“No ano passado, pensamos que tínhamos aprendido sobre nosso novo inimigo, mas isso mudou”, disse Ghafur. “Este vírus se tornou tão, tão imprevisível.”

Dor de estômago, náuseas, vômitos, perda de apetite, perda de audição e dores nas articulações estão entre os sintomas que os pacientes da covid estão enfrentando, de acordo com seis médicos que tratam de pacientes em toda a Índia. As variantes beta e gama – detectadas pela primeira vez na África do Sul e no Brasil, respectivamente – mostraram pouca ou nenhuma evidência de desencadear sinais clínicos incomuns, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de New South Wales no mês passado.

Alguns pacientes desenvolvem microtrombos, ou pequenos coágulos sanguíneos, tão graves que levam o tecido afetado a morrer e desenvolver gangrena, disse Ganesh Manudhane, cardiologista de Mumbai, que tratou de oito pacientes com complicações trombóticas no Hospital Seven Hills durante os últimos dois meses. Duas amputações de dedos ou do pé foram registradas.