O gigantismo do Estado

Por Carla Hachmann

Curioso quantas vezes já ouvimos governos dizendo que o Brasil precisava fazer sua lição de casa. Em boa parte das vezes eles se referiam ao ajuste fiscal, ou seja, suas contas. E, em parte ainda maior das vezes, diziam que a tarefa estava sendo feita.

Por isso o tamanho da surpresa ao se descobrir que a União tem participação em 637 empresas. Isso devia ser um dado de conhecimento de todos, principalmente de quem “estaria” fazendo a lição de casa.

Nessa lista há empresas rentáveis, estratégicas, outras que são verdadeiros buracos sem fundo e que só dão prejuízo sem retorno e até algumas falidas há anos.

Algumas dessas participações são pra lá de curiosas, como participações no Itaú e no Santander. Já o BNDES aparece com laços em casos problemáticos como o da JBS (dos irmãos Batista, cheia de denúncias de corrupção), da Oi (em recuperação judicial), da Odebrecht (que deu bastante trabalho para a Lava Jato e acaba de ter pedido de falência pela Caixa) e da LBR (entrou em recuperação judicial em 2013).

Quem não gostaria de ter o governo como sócio até a empresa se estabilizar, não é? Isso não é para qualquer um, mas alguns conseguem que a parceria vá até pós-morte, caso da Elebra, que faliu em 2002 e mais de 17 anos depois continua na carteira do BNDESPar.

Esses e outros dados vêm a público em meio ao programa de privatização do governo federal e ratifica sua necessidade. O capitalismo de Estado tem pouca eficiência e representa riscos ao dinheiro público, que precisa ser bem gerido e aplicado. Além de ainda cria laços perigosos entre políticos e empresários que têm consequências negativas sobre a transparência pública e a competição privada.

 



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