MP investiga fila em ginecologia

Apesar de alta complexidade ser responsabilidade do gestor estadual, a Secretaria de Saúde de Cascavel está no alvo da denúncia

Reportagem: Josimar Bagatoli

Contratado para realizar consultas em média e alta complexidades, o Cisop (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Oeste do Paraná) ainda está aquém das necessidades dos cascavelenses. No primeiro semestre deste ano, havia 1,6 mil pacientes aguardando por atendimento em especialidades, a maioria por ginecologia (1.125), seguido de hematologia, com 374 registros – em ambas a espera dura dois anos. Os dados fazem parte de denúncia feita pelo vereador Fernando Hallberg (PDT), acatada pelo MP (Ministério Público), que abriu inquérito civil para buscar uma solução por parte dos gestores do SUS (Sistema Único de Saúde).

Na fila, conforme dados fornecidos pelo Município, há casos de pouca procura e mesmo assim com pacientes à espera de consulta desde 2015: é o caso de neurologia, na qual há apenas 11 pacientes na fila.

Em gastroenterologia pediátrica há 18 pacientes esperando consulta desde novembro de 2015; endocrinologia pediátrica tem 20 pessoas, algumas desde outubro de 2016.

Nos casos de ginecologia, o agravante se dá também pela baixa disponibilidade de consultas ofertadas apesar da alta demanda. Em janeiro deste ano deram entrada 52 pacientes na fila e apenas oito consultas foram feitas; em fevereiro, 69 entradas com apenas três consultas e, em março, 76 requerimentos de consultas e apenas uma consulta em todo o mês. Vale lembrar que essas consultas são para média e alta complexidades.

Apesar de alta complexidade ser responsabilidade do gestor estadual, a Secretaria de Saúde de Cascavel está no alvo da denúncia, pois é ela quem recebe os recursos e os direciona ao Cisop. Inclusive, o denunciante questiona esse “desentendimento gestores do SUS para a adoção dos critérios na organização dos casos de maior complexidade em virtude da regionalização da assistência, com a distribuição de autorizações no oeste do Paraná”.

A denúncia foi feita pelo parlamentar em fevereiro de 2018, mas só agora foi acatada pelo MP.

A assessoria jurídica do vereador buscou explicações do Paço Municipal. Em março de 2018, o então secretário de Saúde, Rubens Griep, relatou que apenas um médico ginecologista atendia no Cisop (Jorge Bocasanta), que também é vereador. “Ele é quem avalia o caso e gera a AIH [Autorização de Internação Hospitalar] e realiza cirurgias no Hospital Nossa Senhora da Salete”, disse o ex-secretário.

Consta em justificativa que o HU (Hospital Universitário) também deveria atender os casos cirúrgicos na alta complexidade, “porém, dificilmente há abertura de vagas”. Em abril do ano passado, o vereador solicitou à Unioeste informações sobre a fila de espera em ginecologia no HU: havia 56 casos.

Casos reduziram

Quando a denúncia foi feita ao MP, em fevereiro do ano passado, a fila por especialidades era ainda maior no Cisop: só de Cascavel havia 3.334 pacientes esperando consultas de alta complexidade. Nas especialidades de ginecologia, hematologia e ortopedia havia pacientes na espera desde 2014 e em neurocirurgia desde 2016. Para ginecologia havia 1,5 mil pacientes à espera – de janeiro a dezembro de 2017 foram agendadas apenas 46 consultas.

 

 

 



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