Moeda única: uma discussão de duas décadas

Por Carla Hachmann

O presidente Jair Bolsonaro falou ontem sobre os planos para a criação de uma moeda única na América do Sul. Ao menos estudos para embasar o assunto não vão faltar, pois há pelo menos 20 anos se discute essa possibilidade, especialmente após a criação do Mercosul.

Há exatos 20 anos, o então presidente do Banco Central Armínio Fraga dizia ver “com bons olhos, a longo prazo, a criação de uma moeda única no Mercosul” e a harmonização da política fiscal no bloco. Na época, o economista Domingo Cavallo, ex-ministro da Economia na Argentina, defendia que o real fosse a unidade monetária central no processo de criação de uma moeda comum no Mercosul. E tinham razão. Afinal, a cotação do dólar era R$ 1,55. Tínhamos, sim, uma moeda forte.

A nova moeda travou na falta de integração esperada que o Mercosul nunca conseguiu atingir.

Inclusive, essa é a principal crítica hoje, como diz o ex-diretor do Banco Central argentino Alexandre Schwartsman: “É uma péssima ideia (…) Não é nem colocar o carro na frente dos bois, porque você não tem nem os bois ainda, nem o carro”. Ele lembra que nem passaporte comum conseguiram criar.

Uma das promessas do Mercosul, que inclusive está sendo desfeito por sugestão do próprio Bolsonaro, era ter moeda única, a exemplo do que acabara de fazer naquela mesma época a União Europeia, quando nascia o euro. Por aqui, a proposta sempre travou na complexidade do assunto diante de realidades tão diferentes na região. Situação que em nada mudou.



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