Enquanto Toledo avança na vacinação do público em geral, contribuindo no combate à pandemia e na diminuição da ocupação de leitos hospitalares, algumas pessoas insistem em “perder o trem na estação”. Até a última terça-feira (06) o Vacinômetro de Toledo registra 56.667 pessoas que tomaram a primeira dose da vacina, 16.887 que já tomaram a segunda dose e 680 que foram vacinadas com dose única. Ou seja, já temos mais de 17.500 imunizadas no município.

Mas na contramão desses números estão aqueles que esperaram “um pouco mais” para procurar um dos pontos de vacinação. Infelizmente, muitos dos que deixaram para depois não terão mais essa oportunidade, por contraírem a doença e evoluírem fatalmente, como já foi relatado pelos profissionais de saúde. Em Toledo, em uma breve análise, já são mais de 1.550 pessoas que procuraram um dos pontos de vacina bem depois do prazo que já tinham direito ao imunizante.

Segundo informações da equipe responsável pela vacinação, no dia 7 de maio iniciamos a vacinação para a população geral. Mesmo assim, ainda foram aplicadas 862 doses acima de 60 anos. Semana passada, quando a equipe já estava fazendo as aplicações em pessoas de 46 anos ou mais, foram aplicadas 528 vacinas em pessoas acima de 50 anos. Só no domingo, dia 4 de julho, 64 pessoas com 48 anos tomaram vacina, sendo que há duas semanas as equipes ficaram por três dias seguidos atendendo essa idade.

Nos dois primeiros dias do mês de julho, do público de motoristas, foram vacinadas 99 pessoas de 46 anos, sendo que já estava aberta a vacinação para o público de 45 anos de idade. Esta situação motivou a Secretaria de Saúde a estimular servidores a enviarem mensagens nas redes sociais para incentivar a população a vacinar. “Independente se for porque se enquadram em grupos prioritários ou porque se enquadram na sua faixa etária, lembrem-se que a melhor vacina é a que está no seu braço”, diz a secretária de Saúde, a médica Gabriela Kucharski, em um desses vídeos.

“Então nós pedimos para que as pessoas procurem os pontos de vacinação assim que se enquadrarem. A vacina, independente do fabricante, tem se mostrado muito efetiva na nossa luta contra esse inimigo invisível [o coronavírus]. Nós precisamos superar essa pandemia, pois temos muitas coisas boas para se fazer por nossa cidade”, completa a médica. Ela argumenta que a vacinação interfere diretamente numa redução muito expressiva do número de novos casos de coronavírus, na necessidade de internação em leitos de enfermaria e em leitos de UTI, além da redução do número de óbitos por coronavírus naquelas faixas etárias atendidas pelo imunizante.

A coordenadora dos pontos de vacinação em Toledo, Sonia Pessi, conta que “as pessoas estão super envolvidas para fazer a vacinação, mas nossa maior dificuldade é a falta de informação, pois elas querem escolher a marca da vacina que vão tomar. Todas as vacinas têm o atestado da Anvisa e são eficazes. Muitas pessoas chegam no ponto de vacinação e se não tem determinada vacina elas vão embora”, lamenta. “Nós não trabalhamos com agendamento, trabalhamos com senha. As cidades que trabalham com o agendamento colocam essas pessoas no final da fila. Acredito que por isso muitas pessoas que a gente não vacinou, de idades que já passaram, foi porque estão aguardando a vacina que eles acham que é eficaz”, explica a coordenadora.

Entrevistamos uma pessoa que procurou um ponto de vacinação nesta terça-feira (06). Em virtude de sua comorbidade, ela já poderia ter sido vacinada há pelo menos uns 60 dias. “Quando chegou na minha idade eu fui ver pra fazer, mas o povo falou que uma vacina poderia dar problema com trombose, então fiquei receoso, fui investigar e ouvir opiniões para só então fazer. Agora vacinei e graças a deus não me deu reação nenhuma, está tudo tranquilo”, comentou tranquilamente com nossa equipe. Outra pessoa já aposentada disse estar tomando medicações, as quais não existe comprovação da eficiência e sem orientação médica, e alegou que não irá vacinar.

Estes são os perfis que preocupam os profissionais de saúde, pois as equipes que estão na linha de frente do tratamento dos pacientes que adoecem em decorrência da Covid-19, já notaram que os idosos que se recusam a tomar a vacina, quando contaminados possuem bem menos chances de ter uma boa recuperação e muitos acabam evoluindo ao óbito.