Curitiba – Do céu ao inferno em questão de minutos. Nem bem digeria a notícia de que Justiça havia convertido sua prisão temporária em preventiva, e o ex-governador Beto Richa já começava a arrumar as malas para voltar para casa. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes deferiu habeas corpus a Beto Richa e aos demais 14 presos pela Operação Radiopatrulha, e, ainda, de quebra, assinava um salvo conduto que proíbe que Beto seja preso novamente.

A defesa de Beto Richa tinha pedido a revogação da prisão diretamente ao ministro Gilmar Mendes sob o argumento de que ele era o relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 444 (ADPF 444), na qual o STF proibiu as chamadas conduções coercitivas. Para a defesa do tucano, a prisão de Richa foi decretada para burlar o veto à condução coercitiva.

Só que, durante a semana, Gilmar já havia se manifestado contra a prisão, por se tratar de período eleitoral.

O prazo da prisão temporária terminaria neste sábado. Ontem, o coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Leonir Batisti, havia antecipado a necessidade de prorrogar a prisão devido a fatos novos que estariam chegando.

Já era por volta das 20h quando chegou a notícia de que o juiz Fernando Fischer, da 13ª Vara Criminal de Curitiba, havia determinado a prisão preventiva de Beto Richa, quando não há prazo para soltura, e mais nove pessoas. Em questão de minutos saiu a decisão de Gilmar Mendes anulando tudo.

Depoimentos

Pela manhã, o ex-governador Beto Richa e sua esposa, Fernanda, foram levados de carro à sede do Gaeco, mas ficaram calados.

Ainda ontem pela manhã se apresentou à polícia o empresário Joel Malucelli, sogro de João Arruda, que estava fora do País.

Em conversa com jornalistas, o promotor Leonir Batisti disse que a admissão ou não dos crimes pouco irá interferir no processo e nas investigações em andamento. Segundo ele, o Gaeco conta com "provas patentes" e está recebendo "novas informações a cada momento”.

Questionado ainda sobre o fato de o ex-governador e a ex-primeira-dama ficarem presos em celas próximas, no Regimento de Polícia Montada, no Tarumã, em Curitiba, Batisti explicou que não deve atrapalhar, embora não seja a situação ideal: “Eles não precisam dizer nada [Beto e Fernanda], podem combinar, dizer a mesma versão, isso não os afeta, ou seja, não os prejudica, e, portanto, essa situação [de ficarem próximos no Batalhão da PM] para nós é neutra. Isso é bom? Obviamente que não é bom de todo. Juridicamente vai refletir na hipótese de que a pessoa não precisava declarar nada, ou que seja combinado ou mentira, é um direito.”

Empresário dá cheque para devolver dinheiro de desvio

Curitiba – Os advogados do empresário Celso Frare – dono da Ouro Verde preso na operação Radiopatrulha, na terça-feira – apresentaram judicialmente, nessa sexta-feira (14), um pedido para que seja aberta uma conta bancária para depositar um cheque de R$ 917 mil, que seria o valor a ser devolvido aos cofres públicos por irregularidades por ele praticadas no Programa Patrulha do Campo.

No mesmo documento, os advogados alegam que em depoimento prestado na quinta-feira (13) Frare falou “toda a verdade” e assumiu que fez pagamentos irregulares destinados ao grupo político de Beto Richa há mais de cinco anos.

Citando a delação de Tony Garcia – a quem chama de “biltre e chantagista”, com credibilidade duvidosa -, que teria indicado o recebimento de três remessas de R$ 200 mil, R$ 300 mil e R$ 220 mil feitas por Frare, o empresário se propôs a depositar o cheque, que seria o valor corrigido.

A investigação indica que o empresário participou de um esquema para fraudar a licitação de maquinário pesado para estradas rurais, combinando lotes e repassando parte do valor que recebia. Ele aparece em conversas gravadas por Tony Garcia e também em um vídeo, em que Frare aparece com maços de notas de R$ 100, que seriam um dos pagamentos.

A Ouro Verde informou ontem que “prestou serviços de locação de máquinas e equipamentos pesados ao Estado do Paraná durante o período de abril de 2013 a julho de 2015 após se sagrar vencedora em processo licitatório público e que cumpriu todas as suas obrigações legais no âmbito de tal contratação, inclusive havendo atualmente cobrança judicial contra o Estado por valores não pagos, apesar dos serviços prestados”.