O secretário da Segurança Pública do Paraná, Romulo Marinho Soares, participou nesta quarta-feira (23), em Brasília, do Fórum sobre Proteção Integrada de Fronteiras e Divisas, que contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro, ministros e secretários nacionais e estaduais. O evento, que segue nesta quinta-feira (24), tem o intuito de integrar, ainda mais, as esferas federal, estadual e municipal para fortalecer a prevenção, a fiscalização, o controle e a repressão aos delitos transfronteiriços.

Organizado pelo Programa de Proteção Integrada de Fronteiras (PPIF), o fórum foi aberto por Jair Bolsonaro e, na sequência, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Gustavo Torres, falou sobre políticas integradas de segurança pública. “União é um círculo virtuoso que se reverte em políticas públicas e de mais segurança, cumprindo uma das nossas prioridades, que é cercar e descapitalizar as organizações criminosas”, disse.

O Paraná é o segundo estado com maior número de municípios em faixa de fronteira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São 138 municípios, sendo 17 limítrofes com Paraguai e Argentina. O Paraná também faz divisa com os estados de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A fronteira, em linha reta, tem 174 quilômetros.

Durante o evento, o secretário falou sobre o cenário do Estado e as ações que já estão sendo feitas nas fronteiras e divisas. Ele ressaltou que a integração faz parte do dia a dia do policial paranaense no combate ao crime organizado.

“No Paraná, temos avançado contra o crime organizado em várias frentes na região fronteiriça, graças à cooperação com o governo federal, que proporcionou o surgimento, por exemplo, do Centro Integrado de Operações de Fronteira (CIOF), em Foz do Iguaçu. A responsabilidade é grande e por isso concentramos esforços diários entre as forças de segurança estaduais e nacionais para combater a criminalidade”, afirmou Marinho.

O secretário nacional de Políticas sobre Drogas, Luiz Roberto Beggiora, usou o Paraná como exemplo. “As nossas ações se baseiam na descapitalização e na alienação dos artigos oriundos do crime, de forma a devolver estes recursos para a sociedade em forma de políticas públicas. Já tivemos a aplicação de recursos na fronteira do Paraguai com o Brasil, na divisa com os estados de Mato Grosso e Paraná, por exemplo, com um sistema de rádio digital que, desde seu estabelecimento, tem dado mais segurança aos agentes”, disse.

Já o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, falou que o PPIF é essencial para a repressão dos ilícitos transfronteiriços na faixa de fronteira do Brasil que, somando mar e terra, passa de 24 mil quilômetros. “Podemos considerar o programa como um guarda-chuvas do Estado. Ele permite desenvolver a efetiva governança e orientação da proteção de todas as nossas fronteiras e integração com os países vizinhos”, reforçou.

Heleno ressaltou a importância do fórum, visto que dele partem grandes operações integradas, como a Operação Ágata, do Ministério da Defesa, ou a Operação Hórus, do MJSP. “Este fórum é inédito e possibilitará somar expertises e complementar capacidades das forças de segurança”, completou.

O coordenador do Centro de Inteligência Estratégica da Segurança Pública, coronel Luiz Augusto de Oliveira Santiago, representará o Paraná nas discussões desta quinta-feira (24).

CRIMINALIDADE – A Secretaria da Segurança Pública do Paraná tem feito diversas ações de combate à criminalidade no Estado. Na região de fronteira, as atividades já desempenhadas se somam às operações Hórus e Ágata, do governo federal, contra o tráfico de drogas e armas, contrabando e descaminho.

A 12º Área Integrada de Segurança Pública (12º AISP), de Foz do Iguaçu, que também abrange outros seis municípios da região Oeste, teve redução de 24,1% em roubos no primeiro trimestre de 2021, se comparado ao mesmo período de 2020 (de 484 para 367) e assistiu diminuição de 15,5% nos furtos no mesmo período (de 1.476 para 1.247).

Já em relação aos crimes contra a vida, a redução foi de 29,17% em homicídios dolosos (de 24 para 17). Apesar do número de casos de feminicídio ter se mantido estável (um registro em cada período), a região zerou o número de vítimas de lesão corporal no primeiro trimestre (em 2020 foram dois casos).

DROGAS – De janeiro a março de 2021, na mesma AISP, as forças policiais retiraram de circulação mais de três toneladas de maconha. Somente em uma abordagem do Batalhão de Polícia de Fronteira, no início do ano, mais de 12 toneladas de maconha foram apreendidas na cidade de Toledo. Em outra ação integrada, entre as policias civis do Paraná e de Mato Grosso do Sul, mais de 4 toneladas de drogas foram retiradas de circulação.

Nesta semana, em apenas três dias (21 a 23), a Polícia Militar apreendeu mais de duas toneladas de maconha na fronteira com o Paraguai. Em uma delas as equipes encontraram 1.524 tonelada de maconha.