Guedes explica nova CPMF: “feia”, “chata”, mas renderá R$ 150 bilhões

Na avaliação do ministro, até sonegadores e traficantes de droga vão pagar o novo tributo

Brasília – O ITF (Imposto sobre Transações Financeiras), uma espécie de recriação turbinada da antiga CPMF, é “feio” e “chato”, mas, conforme a alíquota, pode render uma arrecadação de R$ 150 bilhões por ano, segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Embora Guedes reconheça os impactos negativos relacionados à CPMF, as declarações que ele deu ao jornal “Valor” indicam que é mesmo o poder de arrecadação o que desperta tanto entusiasmo nele e no secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, antigo defensor da tributação das transações financeiras.

Na avaliação do ministro, até sonegadores e traficantes de droga vão pagar o novo tributo. A ideia é que esse imposto substitua a contribuição patronal à Previdência, que hoje é de 20% da folha salarial da empresa.

“A contribuição sobre a folha é o imposto mais perverso, cruel e com pior efeito cumulativo. Calculamos efeito cumulativo sobre o Imposto de Transações Financeiras. Quando você pega uma cadeia com dez elos, o efeito cumulativo é 4,5%. E o efeito cumulativo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento é de 14%. Prefiro ter uma base um pouco mais distribuída”, disse Guedes ao jornal “Valor”.

Questionado sobre a alíquota do ITF, ele explicou que ela poderá ser variável, a depender da escolha da empresa. “Tem uma escadinha na proposta de reforma que é assim: se quiser 0,2% de imposto [ITF], pode baixar a desoneração da folha para 13%, se quiser pagar 0,4% você já consegue derrubar a CSLL, se quiser pagar 1% você acaba com o IVA”, explicou.



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