Curitiba – O STF (Supremo Tribunal Federal) iniciou, por meio do plenário virtual, a julgar casos envolvendo o ex-governador Beto Richa (PSDB) nas operações Integração I e II, da Lava Jato, que apuram denúncias de corrupção nas concessões do pedágio do Paraná. Os ministros vão decidir se os processos devem correr na Justiça Federal ou devem ser encaminhados à Justiça Eleitoral.

Na denúncia, o Ministério Público sustenta que Richa comandava um esquema de cobrança de propina de concessionárias do pedágio e que ele recebeu ao menos R$ 2,7 milhões em propinas pagas em espécie por concessionárias de pedágio e outras empresas que mantinham negociações com o governo.

Desse total, a Procuradoria afirma que R$ 142 mil foram lavados por meio de depósitos feitos para a Ocaporã Administradora de Bens, que está no nome da esposa e dos filhos de Richa, mas era controlada pelo tucano. Já a maior parte dos recursos teriam sido lavados por Beto Richa por meio da compra de imóveis – em nome da Ocaporã – com a ajuda de um contador, diz a denúncia.

A defesa de Beto Richa nega as acusações e afirma que a denúncia envolveria apenas suposta infração à lei eleitoral e que os recursos seriam para financiamento de campanha eleitoral, portanto, o processo deveria correr na Justiça Eleitoral. O julgamento será finalizado em 20 de agosto. Até o momento, apenas o relator, ministro Gilmar Mendes, proferiu voto a favor do envio das ações da Justiça Federal para a Justiça Eleitoral. Já o ministro Luiz Edson Fachin se declarou suspeito.

Segundo Mendes, há diversos elementos de prova que apontam para a existência de indícios de crimes de caixa dois (artigo 350 do Código Eleitoral) desde o início das investigações, “de modo que se trata de mais um caso de manipulação indevida das regras de competência”.