Foz do Iguaçu – A determinação contratual da Itaipu Binacional em começar a construir nos próximos cinco anos uma eclusa – um pequeno canal em águas onde há grandes desníveis a fim de possibilitar a descida ou a subida de embarcações pelo Rio Paraná – poderá ter seu projeto redirecionado caso a binacional aceite uma proposta que vem sendo discutia entre Brasil e Paraguai e Chile.

O governo do lado de lá da fronteira ainda não se posicionou sobre o assunto que está meio adormecido há cerca de oito meses, mas que acaba de ter reacesa sua discussão com uma proposta que casa com as expectativas de logística do governador eleito do Paraná Ratinho Junior.

Isso porque já estaria nos caixas da Itaipu algo em torno de R$ 5,1 bilhões para a construção dessa eclusa que pouco beneficiaria o Paraná e o vizinho Paraguai. A proposta, segundo o presidente da Ferroeste, Ricardo Martins, é redirecionar essa verba para a construção de um novo trecho da estrada de trilhos, desta vez ligando o Paraguai a Foz do Iguaçu e depois a Cascavel, seguindo daqui no traçado já existente, e ligando depois ao será licitado rumo ao Porto de Paranaguá.

A concessão que já pertence à Ferroeste não precisaria ser licitada, contemplando 140 quilômetros de Cascavel a Foz do Iguaçu e outros 140 quilômetros dentro do Paraguai, contando com uma ponte ferroviária ligando os dois países. “É por isso que está em discussão se pode se substituir esse projeto da eclusa pelo da ferrovia. Ele seria bastante benéfico ao Paraguai e que futuramente poderia ter barcaças rumo à Argentina e ao Chile”, completa Ricardo, ao considerar a necessidade de escoamento da produção do país vizinho para o mar.

A falta de recursos também não seria, nesses moldes, um entrave, tendo em vista que a binacional tem o dinheiro para uma obra de logística em caixa. “Seria um processo relativamente simples, diminuiria custos de transporte, desafogaria o trânsito de caminhões nas rodovias, conservaria as estradas, certamente reduziria o pedágio das rodovias e tornaria o setor produtivo muito mais competitivo”, considera Ricardo.

Para o presidente da Ferroeste, havendo consenso entre governos e com a realocação de recursos para essa estrutura, ela poderia ser concluída em até três anos.

Importância

Há menos de uma década um estudo de viabilidade econômica e de projeções mostrava a importância da obra, neste momento o necessário seria a atualização destes estudos, bem como a reavaliação dos impactos e processos ambientais.

Para Martins, os R$ 5,1 bilhões seriam mais que suficientes tendo em vista que o novo traçado a ser licitado – de mil quilômetros desde o Mato Grosso do Sul até Paranaguá, descontando os 250 quilômetros existentes do trecho de Cascavel a Guarapuava – exigirá investimentos de R$ 10 bilhões. “Serão R$ 10 bilhões para 750 quilômetros de ferrovia do Mato Grosso do Sul ao porto, então, para 280 quilômetros do Paraguai até Foz e depois até Cascavel, os R$ 5,1 bilhões em caixa são mais do que suficientes. Isso sem contar que nesse trecho não há serras e grandes desníveis que encareceriam o projeto, como existem no trecho de Guarapuava até Paranaguá”, considerou.

Com o fim do ano, a proposta é para que o assunto volte à pauta logo no início de 2019, então sob o governo de Ratinho Junior, que defende a ligação de Paranaguá com o Chile.