Cascavel – Na contramão do cenário nacional, onde as exportações e o saldo da balança comercial sofreram recuou no último levantamento apresentado, os sete principais municípios da região oeste do Paraná com operação internacional – que representam mais de 90% das vendas externas – retomaram o fôlego das comercializações para outros países.

Os números divulgados nesta semana pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços) revelam que, no acumulado de janeiro a setembro, as transações internacionais avançaram 11%. Até o mês passado, o acumulado registrava alta na casa dos 5% ainda como reflexo da greve dos caminhoneiros, o polêmico preço mínimo do frete e entraves comerciais com fechamento de mercados para produtos brasileiros.

Os municípios de Cascavel, Cafelândia, Palotina, Medianeira, Marechal Cândido Rondon, Foz do Iguaçu e Toledo já venderam para outros países o equivalente a US$ 1,233 bilhão no ano, melhor indicador financeiro desde o início da avaliação da série histórica, nos últimos 20 anos.

O volume em quilos transacionados também é o maior da história com mais de 1,5 milhão de toneladas.

Se comparados os faturamentos deste ano com 2017, a diferença em cifras é de quase US$ 130 milhões a mais. De janeiro a setembro do ano passado, os sete maiores vendedores do oeste haviam comercializado US$ 1,1 bilhão com 1,3 milhão de toneladas embarcadas.

Principais produtos

Tanto em dólares quanto em quilos, as carnes de aves seguem na liderança das pautas de exportação. Elas somam pouco mais de 80% do volume financeiro. “O que ainda tem segurado a indústria no Paraná é o agronegócio e suas respectivas exportações. Se dependêssemos apenas do mercado interno a nossa situação seria ainda mais delicada”, reforçou o presidente do Sistema Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), Edson Campagnolo.

Para Campagnolo, é imprescindível a consolidação e abertura de novos mercados e a manutenção de todos eles. “Vivemos uma crise política e econômica que interfere diretamente no consumo dentro do País. Não podemos esperar que ele cresça internamente ainda neste ano, recuperação aqui talvez só no ano que vem, por outro lado existem mercados se abrindo em outros países e devemos comercializar para eles”, acrescenta.

O oeste, a suinocultura e o mercado indiano

Entre os possíveis novos mercados, o destaque vai para o anúncio feito na semana passada de que a Índia passará a comprar carne suína brasileira. Responsável por mais de 20% da produção suína do País e mais de 60% da cadeia no Paraná, o oeste poderá ser um dos beneficiados. “Poderá” porque, segundo o diretor da Frimesa – principal indústria brasileira em cortes suínos -, Elias Zydek, entre o anúncio até a efetivação de contratos existe um longo caminho a ser percorrido. “Ainda não sabemos como isso se dará, se eles enviarão missões para conhecerem nossas plantas, se nós iremos até eles. Até o fechamento do primeiro contrato pode levar muito tempo”, observa.

Zydek lembra ainda que o mercado indiano não consome carne suína de forma volumosa e o motivo são as questões religiosas. O segundo país mais populoso do mundo, com 1,324 bilhão de habitantes, não terá um mercado para mais do que 100 mil toneladas do produto. “Então não deverá representar muito nas aquisições”, destacou.

Por outro lado, o mercado das aves segue crescendo e muito. Sobretudo para o mercado chinês e o vizinho Paraguai. O economista, especialista em mercado internacional Neoroci Frizzo reforça que, graças a essa pauta, aliada a outras importantes como a soja, a região deverá fechar o ano de 2018 como o melhor entre todos os anos já avaliados pelo Mdic para as transações internacionais. “A briga comercial entre alguns países tem favorecido o Brasil e o mundo precisa comer. O dólar perto dos R$ 4 tem sido muito benéfico às exportações. Se o mercado interno tem consumido de forma mais moderada, o mercado externo tem comprado mais e esse é um ótimo momento para se explorar isso”, destacou.

Depois da greve dos caminhoneiros, e com o tabelamento de fretes que chegou a travar toda a logística, o fluxo agora tem se estabelecido maior rumo ao Porto de Paranaguá e ele promete se intensificar neste e nos próximos dois meses. As vendas estão focadas agora para o consumo de fim de ano. Se não há grandes volumes de soja para serem escoados, porque o cereal ainda está em fase de cultivo, o carro-chefe seguirá com as cargas frigorificadas, sobretudo de carnes.

O melhor saldo em caixa da história

Enquanto as exportações avançam, as importações recuam. De janeiro a setembro do ano passado os maiores compradores internacionais do oeste haviam importado 965 mil toneladas de produtos que somaram US$ 383 milhões. Neste ano, de janeiro a setembro, foram 596 mil toneladas que somam US$ 356 milhões. A redução em dólares foi de 7% e em toneladas chegou a 18%.

Considerando o aumento nas exportações e a queda nas importações, o saldo da balança avançou 21%. Enquanto em nove meses do ano passado haviam sido registrados US$ 726,2 milhões no saldo da balança comercial, agora os sete maiores do oeste garantiram um superávit de US$ 877 milhões. “Já é o melhor saldo para o período de todos os tempos e temos tudo para fechar este ano com o melhor saldo, e com a melhor marca de exportações da história da região oeste do Paraná”, completa o economista Neoroci Frizzo.

Entre as principais aquisições, respondendo por mais da metade das compras feitas pelo oeste de outros países, estão os compostos para produção de adubos químicos.