Em apenas oito dias de governo, nada justifica a decisão do Governo Bolsonaro de retirar o Brasil do Pacto Mundial de Migração, assinado em dezembro pelo ex-presidente Michel Temer. No mínimo precipitada, que não considera os impactos que isso pode ter na vida dos próprios brasileiros e dos imigrantes.

O documento da ONU (Organização das Nações Unidas) foi ratificado por mais de 150 países.

Em uma decisão que beira ao xenofobismo, o Brasil pode ter dificultado a vida dos mais de 3 milhões de brasileiros que estão espalhados pelo mundo afora. Um contingente abrigado por outras nações muito superior ao que o governo brasileiro atende hoje.

Negociando por quase dois anos, o Pacto era uma resposta internacional à crise que havia atingido diversos países por conta de um fluxo sem precedentes de migrantes e refugiados. O texto do acordo, porém, não suspendia a soberania de qualquer país e nem exigia o recebimento de um certo volume de estrangeiros. E, em um ato que deixa claro o descaso com que lidou com o assunto, o governo anuncia seu fim pelo Twitter. E mais: feito no mesmo dia em que o Itamaraty aprovava o acordo, em uma reunião da ONU no Marrocos.

Cada governo quer que o seu cidadão seja tratado sem discriminação no exterior e isso exige cooperação.

A origem da atual crise migratória são os conflitos civis e a crise econômica, como no caso da Venezuela, onde as pessoas comem carne podre para não morrer de fome.

Além disso, ao tomar essa atitude, o Brasil dá as costas à sua própria história, pois se esquece que esta nação foi formada por estrangeiros, que largaram tudo para construir o legado que este governo acaba de assumir.