Uma criança ou um adolescente menor de 15 anos morreu a cada segundo em 2017 em alguma parte do mundo. Detalhe: quase todas as mortes poderiam ter sido evitadas. A estimativa é de que 6,3 milhões de pessoas tenham morrido ano passado, revelam Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), OMS (Organização Mundial da Saúde), Divisão da População ONU e Banco Mundial, em relatório mundial conjunto sobre a mortalidade infantil.

Desse número absurdo, 85% aconteceram nos primeiros cinco anos de vida. E, dessas mortes, metade é de recém-nascidos.

O relatório revela o quanto o mundo patina quando o assunto é a questão social. Isso porque, conforme a OMS, a maioria das crianças menores de cinco anos morreu de “complicações durante o parto, pneumonia, diarreia, sepse neonatal [infecção bacteriana] e malária”.

E tem mais: se nada for feito com urgência para reverter essas tendências, 56 milhões de crianças não chegarão aos cinco anos de vida até 2030. Dessas, metade será recém-nascida.

Dentre os países de língua portuguesa, o Brasil é onde houve maior redução da mortalidade de crianças com menos de cinco anos entre 1990 e 2017. Nesse período, a taxa de mortalidade caiu de 63 para 15 em cada mil nascidos vivos. Contudo, ainda longe do ideal, no último ano os números voltaram a crescer em várias partes do País, acendendo a luz vermelha.

Enquanto boa parte da sociedade se concentra em discutir a legalização do aborto, esquece de quem já nasceu e que morre logo depois por simples falta de atendimento. É quase um aborto de uma gestação prolongada.