Uma operação em andamento da Polícia Federal revela o que todos temiam: os presídios paranaenses estão sob o comando do PCC, e os líderes têm total liberdade para comandar o crime organizado mesmo de dentro das suas celas.

O próprio ministro da Segurança, Raul Jungmann, tem repetido a extensão do controle do crime organizado. Ele tenta fazer frente às facções criminosas, mas o poder do Estado, seja de fogo ou de estrutura humana, é muito menor que dos PCCs, do Comando Vermelho ou outras organizações estruturadas como verdadeiras empresas e espalhadas estrategicamente por todo o País.

Passou-se muito tempo sem que alguém fizesse algo, longo tempo em que as fronteiras estiveram abertas e a fiscalização não existia. Houve conivência demais para chegarem onde estão. E agora se revela uma luta entre Sansão e Golias.

A Polícia Federal pede que esses faccionados sejam transferidos para presídios de segurança máxima para restringir seu poder de atuação, embora saiba que essas unidades não ofereçam o isolamento necessário para coibir a atuação desses criminosos, a exemplo do que se vê com “famosos” como Fernandinho Beira-Mar, que, mesmo preso há mais de 13 anos e “rodando” presídios federais, continua comandando o tráfico de drogas.

Os braços dessas organizações vão muito além do que a tesoura das forças de segurança consegue alcançar. Até porque são protegidos por quem deveria repreender. Estão infiltrados em instituições policiais e políticas, enraizados em todos os poderes. Essa briga no Paraná, orquestrada pela Polícia Federal de Cascavel, é um começo e dará uma boa noção de até onde ainda é possível ir.