A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, disse ontem que o Brasil e o mundo passam por mudanças as quais considera “perigosamente conservadoras” em termos de costumes. E alerta: é importante não haver retrocesso nos direitos fundamentais conquistados.

Tentando não pisar no calo de ninguém e não estender a polêmica, a ministra entra em um assunto delicado que ficou escancarado durante as últimas eleições.

Enquanto o então candidato (hoje presidente eleito) Jair Bolsonaro era tachado de homofóbico, machista e fascista, o que se viu foi um grande público se levantando e erguendo bandeiras similares.

O Brasil e o mundo vinham numa onda de reconhecimento dos direitos das chamadas minorias, tentando integrar e zerar diferenças de gênero, credo e cor. A isso até se criticava sutilmente o “politicamente incorreto” dizendo até que as “piadas” estavam sendo censuradas. Na prática, o combate sempre foi ao preconceito e à discriminação.

A tolerância à união civil de gays, por exemplo, foi sendo imposta, mas funcionava. Pelo menos na aparência. A preocupação a que a ministra se referia é de que essa máscara agora caia e cesse o respeito conquistado arduamente durante anos, antes de amadurecido completamente.

A onda de imigração provocada por conflitos civis e miséria agora vive o perigo da volta (ou endurecimento) da xenofobia.

Para a ministra, o cidadão pode ser "realmente livre em sua escolha, em seu pensar e em sua dinâmica" se educado juridicamente. E a isso se refere a todos, desde os que são da chamada minoria, até os que se entendem dominantes.